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Yam Mexicano: benefícios, usos e propriedades medicinais

O Yam Mexicano (Dioscorea villosa), também conhecido como inhame selvagem ou inhame-bravo, pertence à família Dioscoreaceae. Trata-se de uma trepadeira perene com rizomas tuberosos retorcidos, de coloração marrom-pálida. Seu caule é fino, lanoso e pode atingir até 12 metros de comprimento. As folhas são ovadas, alternadas e cordadas, medindo entre 6 e 14 cm. A parte superior da folha é glabra, enquanto a inferior é pubescente. As flores são pequenas, de coloração amarelo-esverdeada, com as femininas dispostas em ramos espigados pendentes e as masculinas em panículas curvadas.

Embora existam mais de 500 espécies de Dioscorea no mundo, o Yam Mexicano é amplamente reconhecido por suas propriedades medicinais, especialmente devido à presença de diosgenina, uma saponina esteroide utilizada na síntese de hormônios esteroides. Essa planta tem sido historicamente valorizada por seu papel na medicina tradicional e moderna, desde o tratamento de cólicas menstruais até sua aplicação na indústria farmacêutica.

Origem e distribuição geográfica

O Yam Mexicano tem origem na América do Norte, sendo encontrado principalmente no sudoeste dos Estados Unidose no Canadá. No entanto, seu nome tem raízes indo-europeias e está associado ao significado de “junco”. Com o passar dos séculos, a planta passou a ser cultivada em diversas regiões tropicais, subtropicais e temperadas ao redor do mundo, adaptando-se bem a diferentes climas.

História e usos tradicionais

O Yam Mexicano foi popularizado no século XIX pelo movimento médico eclético, que promovia o uso de ervas medicinais como alternativa à medicina convencional da época. Ele era amplamente utilizado para aliviar espasmos e cólicas intestinais, além de ser empregado no tratamento da dismenorreia e da amenorreia.

Na década de 1950, o Yam Mexicano tornou-se uma das principais fontes naturais de hormônios sexuais usados na fabricação das primeiras pílulas anticoncepcionais. Até o final da década de 1970, essa planta foi essencial para a produção de progesterona e cortisona de origem vegetal, sendo posteriormente substituída por processos sintéticos mais baratos. Atualmente, o Yam Mexicano continua presente na Farmacopeia Homeopática e em diversos produtos fitoterápicos.

Principais benefícios e aplicações medicinais

  1. Cãibras e dores reumáticas

O Yam Mexicano possui ação antiespasmódica e anti-inflamatória, sendo eficaz no alívio de diversos tipos de cãibras e dores musculares. Ele pode ser útil em condições como:

  • Cólicas menstruais e ovulatórias
  • Espasmos intestinais
  • Dor na bexiga
  • Dores musculares crônicas associadas à inflamação

Seu efeito pode ser potencializado quando combinado com outras ervas, como o noveleiro (Viburnum opulus), o harpago (Harpagophytum procumbens) e o salgueiro-branco (Salix alba), que possuem propriedades analgésicas e anti-inflamatórias.

  1. Alívio dos sintomas da menopausa

O Yam Mexicano é frequentemente utilizado para reduzir ondas de calor, suores noturnos e insônia associadas à menopausa. No entanto, a presença de compostos esteroides na planta não garante que eles sejam convertidos pelo organismo em hormônios ativos. Estudos indicam que seu efeito pode estar relacionado a mecanismos indiretos, como a modulação do sistema endócrino.

Muitas mulheres utilizam o extrato de Yam Mexicano por algumas semanas para avaliar seus efeitos. Quando combinado com o cohosh-negro (Cimicifuga racemosa), pode potencializar o alívio dos sintomas da menopausa.

  1. Creme de progesterona natural: mito ou realidade?

O creme de progesterona de Yam Mexicano tem sido amplamente divulgado como um tratamento natural para a menopausa, mas sua eficácia ainda é debatida. Estudos clínicos não encontraram evidências sólidas de que a planta, quando aplicada na pele, seja eficaz na reposição hormonal. Isso se deve ao fato de que a diosgenina presente no Yam Mexicano não é convertida naturalmente pelo organismo em progesterona.

Ainda assim, muitas mulheres relatam melhorias subjetivas no equilíbrio hormonal, o que pode estar relacionado a outros efeitos bioativos do extrato vegetal. Vale destacar que os produtos disponíveis no mercado passam por processos laboratoriais para transformar seus compostos esteroides em hormônios ativos.

  1. Aplicações na medicina tradicional indígena

Entre as tradições ameríndias, o Yam Mexicano era utilizado para:

  • Prevenir abortos espontâneos em fases avançadas da gravidez
  • Aliviar dores do parto
  • Tratar cólon irritável e diverticulite (quando combinado com ulmeiro-da-américa (Ulmus rubra))

Composição química e propriedades farmacológicas

O Yam Mexicano apresenta uma composição rica em saponinas e alcaloides, sendo seus principais compostos ativos:

  • Diosgenina (precursora de hormônios esteroides)
  • Dioscorina (alcaloide com propriedades neuromoduladoras)
  • Alcaloides piridinais e isoquinolínicos

Suas propriedades incluem:

Segurança e efeitos colaterais

Em doses adequadas, o Yam Mexicano é seguro para a maioria das pessoas. No entanto, o consumo excessivo pode levar a intoxicação, especialmente devido à dioscorina, que possui efeitos neurotóxicos semelhantes à picrotoxina.

Possíveis efeitos colaterais da superdosagem:

Mulheres grávidas ou lactantes devem evitar o uso sem orientação médica, devido ao potencial impacto sobre o equilíbrio hormonal.

Posologia recomendada

A dosagem do Yam Mexicano pode variar conforme a apresentação do produto:

  • Cápsulas: 200 mg a 535 mg, com dose diária média de 2 g
  • Extrato líquido: 250 mg/ml, com dose diária máxima de 4 ml

A recomendação é sempre seguir a orientação de um profissional de saúde para evitar efeitos adversos.

O Yam Mexicano é uma planta de grande importância medicinal, amplamente utilizada para tratar cólicas, dores musculares e sintomas da menopausa. Apesar de seu papel na síntese de hormônios esteroides, sua conversão natural pelo organismo humano ainda é debatida. Seu uso deve ser feito com cautela, respeitando as doses recomendadas.

Interação medicamentosa do Yam Mexicano: 

Há evidências que a diosgenina do Yam mexicano diminui o efeito anti-inflamatório da indometacina pelo aumento da eliminação constante e diminuição (n) de seus níveis plasmáticos; O Yam mexicano tem efeito estrogênico aditivo quando administrado concomitantemente com outras drogas estrogênicas.

Farmacologia do Yam Mexicano:

Um grande número de investigações sobre a composição química de outras espécies de Dioscorea foi realizado, mas poucos dados recentes existem sobre a química da Dioscorea villosa; Como com muitas espécies do gênero Dioscorea, a Dioscorea villosa é uma fonte de diosgenina. A diosgenina não é tipicamente encontrada em estado livre nas plantas mas ocorre geralmente como as saponinas dioscina e gracilina; A raiz do Yam mexicano é diaforética e expectorante em uma dose de 4 g e também é antiespasmódica.

É utilizada como precursora sintética da cortisona e de hormônios esteroides encontrados nas pílulas anticoncepcionais. Embora a diosgenina que ele contém seja promovida como “progesterona natural”, não há provas de que o corpo humano consiga convertê-la em estrogênio ou outro esteroides através do composto intermediário dehidroepiandrosterona (DHEA); Embora seja pouco provável que estas possam servir como veículos de “reposição de progesterona”, a venda de DHEA como um suplemento “antienvelhecimento” foi extrapolado a Dioscorea por analogia; Estudo sobre as saponinas do ginseng mostrou que o metabolismo destes compostos por micróbios específicos no intestino pode melhorar substancialmente a captação de metabólitos pelo corpo.

Pode-se postular um mecanismo similar de captação produzido por outras saponinas que também são mal absorvidas, tal como a dioxina. Mais investigações são necessárias para compreender a farmacodinâmica de plantas que contêm saponinas em seres humanos. Em um modelo com cobaias, a diosgenina diminuiu a inflamação intestinal utilizada pelo uso de indometacina; a diosgenina mostrou, em modelos com cobaias, aumento notável na produção biliar de colesterol e estruturas lamelares lipídicas. Também apresentou um efeito citoprotetor no fígado de cobaias submetidas a colestase obstrutiva; a diosgenina tem efeito estrogênico no epitélio mamário de cobaias. Animais ovariectomizados que receberam doses entre 20 e 40mg/kg por dia, durante 15 dias, apresentaram índices de desenvolvimento mamário.

Quando a diosgenina foi associada ao estrogênio, houve aumento do efeito estrogênico. Em um estudo piloto com mulheres que usam produtos de inhame selvagem (Dioscorea villosa ), encontrou-se que a síntese de progesterona parece ser suprimida quando comparada com os controles. Nenhum efeito direto do extrato de inhame selvagem nos receptores hormonais estrogênios ou de progesterona foi encontrado.