Explore os usos históricos e terapêuticos da quinina, extraída da quina, e seus efeitos digestivos, antipiréticos e antimaláricos na medicina tradicional.
A quinina, um alcaloide extraído da casca da árvore quina (Cinchona calisaya), é um dos exemplos mais clássicos da interação entre plantas medicinais e tratamentos médicos. A planta, originária da América do Sul, foi usada tradicionalmente por povos indígenas e ganhou destaque global ao longo dos séculos, principalmente no combate à malária. Esse uso histórico da quinina foi decisivo na luta contra a malária até a descoberta de medicamentos sintéticos como a cloroquina e a primaquina. Ainda assim, a árvore da quina e seus compostos continuam valorizados na medicina tradicional e em outras aplicações.
A Quinina na História e na Ciência
A quinina começou a ser usada no século XVII e se tornou a principal terapia para malária até o desenvolvimento de alternativas sintéticas no século XX. A “febre dos Andes” – como a malária era conhecida por exploradores e colonizadores europeus – foi uma das principais razões que levaram à busca por tratamentos antimaláricos em território sul-americano. Estudos como os de Oliveira e Szczerbowski (2009) relatam a fascinante trajetória da quinina, desde o seu papel nas expedições europeias até as controvérsias e desafios associados ao desenvolvimento e controle de sua produção a quinina não é amplamente utilizada para tratar a malária, exceto em casos específicos sob orientação médica, especialmente em regiões onde a resistência aos medicamentos sintéticos apresenta um problema. No entanto, a relevância da planta continua no uso popular para condições como febre e problemas digestivos, bem como na fabricação de produtos farmacêuticos e de consumo. Pollito e Filho (2006) descrevem a relevância da Cinchona amazónica, uma espécie próxima da Cinchona calisaya, como exemplo da diversidade botânica e do potencial farmacológico que ainda podem ser explorados na região amazônica .
Usos Tradicionais da Quina
Além da quinina, a casca da quina contém outros alcaloides, como quinidina, cinchonina e hidroquinona, que têm propriedades terapêuticas distintas. Essas substâncias foram estudadas em diversas pesquisas etnobotânicas que associam o uso da planta a efeitos digestivos, antipiréticos e cicatrizantes. Estudos de Maldonado et al. (2017) revelam que a Cinchona calisaya possui uma quantidade significativa de alcaloides com ação antimalárica, reforçando a importância de sua preservação e estudo para futuros tratamentos .
Na medicina pouina é utilizada para várias finalidades:
- Tratamento da Malária: Embora o uso de quinina seja controlado, o chá de quina é valorizado em práticas populares como um coadjuvante em casos febris.
- Saúde Digestiva: Os compostos da quina, como a cinchonina, são tradicionalmente usados para melhorar o processo digestivo e aliviar desconfortos estomacais.
- Ação Desintoxicante e Anti-inflamatória: Com propriedades que auxiliam na desintoxicação do fígado e do organismo, o uso da quina em chás é apreciado por sua ação anti-inflamatória e antisséptica.
- Controle de Febres e Dores: As propriedades febrífugas da quina são bem documentadas e popularmente aplicadas para reduzir febres e aliviar dores no corpo.
- Aplicação em Problemas Cardíacos: Alguns compostos, como a quinidina, são utilizados para controlar arritmias e taquicardia, sendo objeto de estudos farmacológicos em busca de alternativas menos invasivas para o coração.
Quinina em Bebidas e Alimentos
A quinina também é um aditivo comum em algumas bebidas, como a água tônica. Com um sabor amargo característico, a quinina na água tônica é limitada a menos de 5 mg/L, o que a torna segura para consumo regular, mas insuficiente para qualquer efeito terapêutico. A regulamentação dos níveis de quinina na indústria alimentícia varia entre países, sendo sua adição amplamente permitida como aromatizante, conforme discutem Oliveira e Szczerbowski em suas observações sobre o desenvolvimento histórico e regulamentar da substância .
**Como preparar chá de chá de quina é uma forma popular de usufruir dos benefícios terapêuticos da planta, especialmente para combater febres e problemas digestivos. A receita básica é ferver 1 litro de água com duas colheres de casca de quina por 10 minutos. Após o descanso de mais 10 minutos, o chá está pronto, podendo ser ingerido em até três xícaras por dia. Apesar de seus benefícios, o chá deve ser consumido com cautela e sempre com a orientação de um profissional de saúde, pois os efeitos colaterais da quinina incluem náuseas, tontura e até problemas hepáticos em doses elevadas.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Quinina
O uso da quina e da quinina deve ser feito com precaução. Estudos clínicos indicam contra indicações claras para gestantes, crianças e pessoas com condições como depressão e distúrbios de coagulação. Além disso, a interação da quinina com medicamentos como heparina e carbamazepina é amplamente estudada devido aos riscos de aumento de efeitos adversos, incluindo arritmias cardíacas e distúrbios hepáticos. A literatura médica, como os estudos de Maldonado e seus colaboradores (2017), destaca a importância da supervisão médica para o uso seguro de compostos da Cinchona calisaya .
A Cinsaya e a Quinina representam uma rica tradição de uso medicinal com potencial ainda vasto a ser explorado. Embora a terapia antimalárica tenha evoluído para alternativas sintéticas, a quina permanece como uma fonte valiosa de compostos que contribuem para diversas terapias. O valor medicinal da quina vai além da sua aplicação contra a malária e se estende a propriedades digestivas, antissépticas e antipiréticas que são reconhecidas há séculos e continuam a inspirar novos estudos.
A pesquisa sobre a Cinchona calisaya e suas propriedades bioativas revela como a relação entre plantas e saúde é complexa e merece ser explorada de maneira ética e sustentável. A conservação da biodiversidade, especialmente na região amazônica, e o respeito aos conhecimentos tradicionais são essenciais para que a quinina e outros alcaloides possam continuar a beneficiar gerações futuras.