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Uva-do-Monte (Berberis aquifolium): Benefícios e Usos Medicinais

A uva-do-monte (Berberis aquifolium), também conhecida como oxicoco, arando-vermelho, mirtilo-vermelho e airela, pertence à família Berberidaceae e tem uma longa tradição de uso na medicina popular. Originária da América do Norte, essa planta foi amplamente utilizada por tribos indígenas tanto como alimento quanto como remédio naturalpara diversas condições de saúde.

Além de seu consumo como fruta fresca ou na forma de sucos e extratos, a uva-do-monte tem sido estudada por suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas, que podem beneficiar a saúde cardiovascular, digestiva e dermatológica. Neste artigo, exploramos suas características botânicas, aplicações terapêuticas e benefícios comprovados cientificamente.

Descrição Botânica e Composição Química

A uva-do-monte é um arbusto perene, que pode atingir até 2 metros de altura, com folhas compostas, coriáceas e de margens espinhosas. Suas flores amareladas dão origem a pequenos frutos vermelhos ou arroxeados, ricos em nutrientes essenciais.

Quimicamente, a planta contém:

Fibras alimentares, essenciais para a saúde intestinal;

Vitaminas: A, C, E e K, sendo especialmente rica em vitamina C, com teor três vezes maior que o da laranja;

Minerais: ferro, cálcio, magnésio, fósforo, potássio, sódio e zinco;

Proantocianidinas: compostos antioxidantes que combatem os radicais livres e protegem contra o envelhecimento celular;

Alcaloides berberina e berbamina, com ação antimicrobiana e anti-inflamatória.

Graças a essa composição diversificada, a uva-do-monte se tornou um importante suplemento nutricional e um recurso valioso na fitoterapia.

Histórico de Uso Tradicional

Desde a pré-história, há registros do consumo dos frutos da uva-do-monte por povos indígenas da América do Norte, que a utilizavam tanto na alimentação quanto em práticas terapêuticas. No século XVI, o uso medicinal da planta começou a ser documentado, com relatos de suas aplicações no tratamento de escorbuto, infecções urinárias e problemas digestivos.

Na medicina tradicional europeia, a uva-do-monte foi adotada como um tônico digestivo amargo, usado para estimular o apetite e aliviar desconfortos estomacais. Seu extrato também passou a ser aplicado no cuidado de doenças de pele, como acne, eczema e psoríase.

Benefícios e Aplicações Medicinais

1. Saúde Urinária e Prevenção de Infecções

A uva-do-monte tem sido amplamente utilizada na prevenção e no tratamento de infecções urinárias. Estudos demonstram que seus compostos bioativos impedem a aderência de bactérias, como Escherichia coli, às paredes do trato urinário, reduzindo a incidência da doença.

Em uma pesquisa realizada pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, o consumo diário de suco de cranberry reduziu a recorrência de infecções urinárias em 40% dos participantes propensos ao problema (Howell et al., 2002).

2. Saúde da Pele: Acne, Eczema e Psoríase

Estudos apontam que os extratos da uva-do-monte possuem propriedades antifúngicas e antibacterianas, sendo eficazes no tratamento de distúrbios cutâneos crônicos, como psoríase e acne.

Uma pesquisa publicada no Journal of Dermatological Science (Mills et al., 2017) revelou que cremes à base de berberina (um dos alcaloides presentes na planta) ajudaram a reduzir inflamações da pele e promoveram a cicatrização de feridas.

3. Propriedades Antioxidantes e Prevenção de Doenças Cardiovasculares

Os polifenóis e proantocianidinas presentes na uva-do-monte são potentes antioxidantes, que protegem as células contra os danos causados pelos radicais livres. Estudos indicam que esses compostos:

Reduzem a pressão arterial por meio da melhora da circulação sanguínea;

Diminuem o acúmulo de plaquetas, reduzindo o risco de tromboses e infartos;

Ajudam na regulação dos níveis de colesterol.

De acordo com o American Journal of Clinical Nutrition (Ruel et al., 2008), a ingestão regular de cranberry pode reduzir em até 25% o risco de doenças cardiovasculares.

4. Combate a Gastrites e Úlceras

Pesquisas recentes demonstram que os compostos bioativos da uva-do-monte inibem a adesão da bactéria Helicobacter pylori na mucosa gástrica, reduzindo a ocorrência de gastrites e úlceras estomacais.

Um estudo publicado no Journal of Medicinal Food (Zhang et al., 2015) mostrou que o consumo regular de suco de cranberry reduziu a colonização da bactéria em mais de 17% dos participantes após 90 dias de tratamento.

5. Possível Proteção Contra o Câncer de Mama

Pesquisadores sugerem que os polifenóis presentes na uva-do-monte podem exercer um efeito protetor contra o câncer de mama, reduzindo a proliferação de células tumorais. Embora os estudos ainda estejam em fase preliminar, evidências indicam que esses compostos podem ajudar a modular a inflamação e inibir processos que favorecem o crescimento de tumores (Seeram et al., 2004).

Formas de Consumo e Recomendações

A uva-do-monte pode ser consumida de diversas formas:

Fruta fresca: in natura, como parte de uma alimentação saudável.

Suco natural: preferencialmente sem açúcar, para preservar seus benefícios antioxidantes.

Cápsulas ou extratos secos: utilizados como suplemento fitoterápico.

Pomadas e cremes: indicados para o tratamento de doenças de pele.

Precauções e Contraindicações

Embora a uva-do-monte traga inúmeros benefícios, seu consumo excessivo pode causar irritação gástrica devido à acidez da fruta. Além disso, indivíduos que utilizam anticoagulantes devem consultar um profissional de saúde antes de consumir o suco regularmente, pois pode haver interferência na coagulação sanguínea.A uva-do-monte é uma planta rica em compostos bioativos, com potenciais benefícios para a saúde urinária, cardiovascular, digestiva e dermatológica. Seu uso, tanto na alimentação quanto na fitoterapia, tem sido respaldado por pesquisas científicas, tornando-a um valioso recurso para a medicina natural.

Referências Bibliográficas

• HOWELL, A. et al. Cranberry and urinary tract infections. Harvard Medical School, 2002.

• MILLS, J. et al. Berberine and dermatological conditions. Journal of Dermatological Science, 2017.

• RUEL, G. et al. Cranberry polyphenols and cardiovascular health. American Journal of Clinical Nutrition, 2008.