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Artemisia maritima: Propriedades e Benefícios do Santônico

A fitoterapia é um dos ramos mais antigos da medicina e tem sido amplamente utilizada para o tratamento de diversas enfermidades. Dentro desse universo, a Artemisia maritima, conhecida popularmente como santônico, destaca-se por suas propriedades vermífugas e seu uso tradicional no combate a infestações parasitárias.

Pertencente à família Asteraceae (antiga Compositae), a Artemisia maritima tem sido estudada por suas propriedades medicinais, que derivam de seus compostos bioativos, especialmente a santonina, responsável por seu efeito anti-helmíntico. Neste artigo, exploraremos sua descrição botânica, propriedades terapêuticas, formas de uso e precauções, além de referências científicas que sustentam sua eficácia.

Descrição e Características Botânicas

A Artemisia maritima é uma planta herbácea perene que pode atingir até 60 cm de altura. Sua estrutura foliar é fina, recortada e recoberta por tricomas, conferindo-lhe uma coloração esverdeada com tons prateados. Os capítulos floraissão pequenos, arredondados e amarelo-escuros, exalando um aroma característico e intenso.

A espécie é nativa de regiões costeiras da Europa e da Ásia, sendo encontrada principalmente em zonas salinas e úmidas, como estuários e terrenos arenosos. Seu cultivo exige solos bem drenados e ricos em matéria orgânica, com exposição solar plena.

As partes utilizadas para fins medicinais são as sumidades florais, colhidas preferencialmente no início da floração, quando há maior concentração de princípios ativos.

Propriedades Medicinais e Benefícios

O principal benefício da Artemisia maritima está relacionado à sua ação vermífuga, sendo eficaz contra Ascaris lumbricoides (lombrigas). Sua atividade medicinal deve-se à presença de santonina, um composto isolado pela primeira vez no século XIX e amplamente utilizado na medicina tradicional até o advento dos anti-helmínticos modernos.

1. Efeito Vermífugo e Mecanismo de Ação

A santonina atua paralisando a musculatura dos helmintos, tornando-os mais suscetíveis à eliminação pelo trato intestinal. Estudos indicam que esse alcaloide interfere nos canais iônicos das células musculares dos parasitas, provocando uma inibição reversível dos impulsos nervosos.

A eficácia da Artemisia maritima contra helmintos foi registrada em diversas pesquisas etnofarmacológicas, confirmando seu uso tradicional como um remédio natural contra infestações intestinais. No entanto, o uso da planta deve ser feito com cautela, pois a santonina pode apresentar toxicidade em doses elevadas.

2. Propriedades Antissépticas e Digestivas

Além da ação vermífuga, a Artemisia maritima possui propriedades antissépticas e digestivas, auxiliando no equilíbrio da microbiota intestinal e na redução de processos fermentativos. Seu consumo, na forma de infusão, pode estimular a digestão e aliviar sintomas de dispepsia.

Estudos apontam que espécies do gênero Artemisia contêm flavonoides e compostos fenólicos com ação antioxidante e antimicrobiana, reforçando a importância da planta na medicina tradicional.

3. Uso Tradicional e História da Santonina

O uso do santônico como anti-helmíntico remonta a civilizações antigas, com registros na Medicina Tradicional Chinesa e na Fitoterapia Europeia. Durante os séculos XVIII e XIX, a santonina foi amplamente comercializada como vermífugo e incluída em diversas farmacopeias ao redor do mundo.

Com o avanço da farmacologia, seu uso foi substituído por fármacos sintéticos mais seguros e específicos. No entanto, em algumas regiões, a Artemisia maritima ainda é utilizada como alternativa fitoterápica contra infestações parasitárias.

Formas de Uso e Administração

A Artemisia maritima pode ser utilizada na forma de:

Infusão (chá): Preparada com as sumidades florais secas, sendo indicada para estimular a digestão e combater parasitas intestinais.

Tintura: Extrato hidroalcoólico da planta, usado em pequenas doses sob recomendação fitoterápica.

Pó ou cápsulas: Comercializado em algumas preparações fitoterápicas para fins anti-helmínticos.

A dosagem recomendada varia conforme a concentração da santonina na preparação utilizada, sendo fundamental seguir orientações médicas ou de um fitoterapeuta para evitar efeitos adversos.

Precauções e Considerações Toxicológicas

Apesar de seus benefícios, o uso da Artemisia maritima deve ser realizado com cautela, pois a santonina pode provocar efeitos tóxicos quando consumida em excesso. Entre os principais riscos estão:

Excitação do sistema nervoso central, podendo levar a sintomas como agitação e insônia.

Náuseas, vômitos e tonturas, especialmente em indivíduos sensíveis.

Fotossensibilidade, aumentando a sensibilidade da pele à luz solar.

Por essas razões, a planta não deve ser administrada a crianças pequenas, gestantes ou lactantes sem orientação profissional.

A Artemisia maritima, ou santônico, representa uma das plantas medicinais mais relevantes na história da fitoterapia. Seu efeito vermífugo foi amplamente reconhecido ao longo dos séculos, sendo um dos primeiros tratamentos naturais contra parasitas intestinais.

Embora seu uso tenha sido reduzido com o surgimento de fármacos modernos, a planta continua a ser objeto de pesquisas científicas, reforçando sua importância na medicina natural. Contudo, seu uso deve ser criterioso, respeitando dosagens seguras e precauções para evitar efeitos adversos.

A fitoterapia, quando aliada ao conhecimento científico, continua a oferecer alternativas terapêuticas valiosas, e o estudo de plantas como a Artemisia maritima contribui para a preservação e valorização desse saber ancestral.

Referências Bibliográficas

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• DUKE, J. A. Handbook of Medicinal Herbs. 2. ed. Boca Raton: CRC Press, 2002.

• WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Monographs on Selected Medicinal Plants. Geneva: WHO, 2004.

• GARCÍA-BARRERA, T. et al. “Pharmacological Aspects of Artemisia Species.” Phytotherapy Research, 2018.