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Pimpinela-escarlate (Anagallis arvensis): usos e precauções

A pimpinela-escarlate (Anagallis arvensis), pertencente à família Primulaceae, é uma planta medicinal conhecida por suas propriedades antifúngicas, antivirais e cicatrizantes. No entanto, seu uso exige cautela devido à sua toxicidade, especialmente quando ingerida.

Descrição botânica

A Anagallis arvensis é uma planta herbácea de pequeno porte, com hastes rasteiras ou ligeiramente ascendentes. Suas folhas são opostas, ovadas e glabras, enquanto suas flores são pequenas e de coloração vermelho-escarlate, característica que lhe rendeu o nome popular.

Essa espécie tem ampla distribuição geográfica, sendo encontrada em diversas regiões da Europa, Ásia, África e América. No Brasil, cresce principalmente em áreas cultivadas, beiras de estradas e terrenos baldios.

A pimpinela-escarlate recebe diferentes nomes ao redor do mundo, como sagittalis, polyandra’s weatherglass, scarlet pimpernel, ackergauchheil (alemão), hierba coral (espanhol), murajes, pimpinella, jam ghani e jonk mari (hindu).

Parte utilizada

Toda a planta pode ser empregada para fins medicinais, exceto as sementes, que contêm compostos altamente tóxicos.

Composição química

A Anagallis arvensis possui diversos princípios ativos, incluindo:

Saponinas triterpênicas (ciclamina) – responsáveis por sua ação antifúngica e irritativa.

Taninos – com propriedades adstringentes e cicatrizantes.

Fermentos e heterosídeos triterpênicos – que podem ter efeitos anti-inflamatórios.

Óleo essencial – composto por substâncias voláteis com leve ação sedativa e antimicrobiana.

Propriedades medicinais

A medicina popular atribui à pimpinela-escarlate diversas propriedades terapêuticas, como:

Antifúngicaeficaz contra micoses cutâneas.

Antiviral – com possíveis efeitos sobre herpes simples e herpes-zóster.

Cicatrizante – auxilia na recuperação de feridas e úlceras tróficas.

Sedativa – pode atenuar estados de agitação.

Expectorante – contribui para a eliminação do muco em afecções respiratórias.

Diurética e sudorífica – estimula a eliminação de líquidos pelo organismo.

Indicações de uso

A Anagallis arvensis tem aplicação tópica no tratamento de feridas, úlceras tróficas, micoses e herpes-zóster. Sua eficácia nesses casos deve-se à combinação de propriedades antimicrobianas e cicatrizantes.

Devido à sua toxicidade, o uso interno não é recomendado, sendo restrito a infusões alcoólicas aplicadas diretamente sobre a pele.

Contraindicações e precauções

Apesar de seu potencial terapêutico, a pimpinela-escarlate contém saponinas com ação hemolítica, o que pode causar irritação grave no trato digestivo e respiratório. Seu uso interno pode provocar inflamações gástricas severas, devido à presença de cucurbitacinas.

Além disso, algumas pessoas podem apresentar dermatite de contato ao utilizar a planta topicamente, manifestando vermelhidão intensa e até formação de bolhas.

Contraindicações principais:

• Ingestão de qualquer forma da planta, especialmente as sementes.

• Pessoas com histórico de alergias cutâneas.

• Grávidas, lactantes e crianças.

Efeitos colaterais

O uso interno pode resultar em:

Irritação gástrica intensa, com náuseas e vômitos.

Diarreia severa.

Tremores musculares.

Aumento da diurese, podendo levar à desidratação.

Mesmo para uso externo, deve-se realizar um teste de contato antes da aplicação para evitar reações alérgicas.

Modo de preparo e uso tópico

A forma mais segura de utilização da Anagallis arvensis é por meio da infusão alcoólica, indicada para aplicação em feridas, úlceras e infecções cutâneas.

Receita de infusão alcoólica:

1. Macerar 20 g de folhas e flores frescas em 500 ml de álcool 90º.

2. Deixar em infusão por duas semanas, agitando o recipiente diariamente.

3. Após esse período, filtrar o líquido e armazená-lo em um frasco escuro.

4. Aplicar sobre a pele com um cotonete ou gaze, evitando contato com mucosas.

Considerações finais

A Anagallis arvensis é uma planta de grande interesse na fitoterapia, mas seu uso deve ser restrito e cauteloso devido à sua toxicidade. O conhecimento popular a associa a diversas propriedades benéficas, mas seu potencial risco demanda supervisão de um profissional de saúde antes de qualquer aplicação.

Referências bibliográficas

• Duke, J. A. (2002). Handbook of Medicinal Herbs. CRC Press.

• Bruneton, J. (1999). Pharmacognosie, Phytochimie, Plantes Médicinales. Tec & Doc.

• Van Wyk, B.-E., & Wink, M. (2004). Medicinal Plants of the World. Timber Press.

• Alonso, J. R. (2004). Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Corpus Editorial.