Plantas Que Curam

Oleandro (Nerium oleander): Beleza Mortal e Toxicidade Extrema

O oleandro (Nerium oleander) é uma planta que fascina e assusta ao mesmo tempo. De aparência delicada e frequentemente utilizada para fins ornamentais, essa espécie esconde um perigo letal: é uma das plantas mais venenosas do mundo.

Presente em diversas regiões do globo, suas belas flores em tons de branco, rosa e vermelho contrastam com sua toxicidade extrema. Riquíssimo em glicosídeos cardiotóxicos, como a oleandrina e a neriantina, o oleandro pode ser fatal mesmo em pequenas quantidades. Estudos indicam que a ingestão de apenas uma folha pode levar um adulto à morte, tornando seu manuseio e cultivo algo que exige atenção e responsabilidade.

Neste artigo, exploraremos a origem, características, toxicidade, sintomas de envenenamento e formas de tratamento relacionadas ao contato com essa planta mortal.

Descrição Botânica e Origem

O oleandro é uma planta da família Apocynaceae, grupo que inclui diversas espécies conhecidas por sua toxicidade. Também chamado de louro-rosa, loandro-da-índia, adelfa, espirradeira, cevadilha e flor-de-são-josé, esse arbusto pode atingir entre 3 a 5 metros de altura e se destaca por sua resistência e exuberância.

Devido à sua beleza e rusticidade, é amplamente utilizado no paisagismo urbano, sendo encontrado em jardins, praças e ao longo de rodovias. Suas flores, delicadas e vistosas, surgem em cachos e podem ser brancas, róseas ou vermelhas, tornando-se um atrativo visual impressionante.

O oleandro é nativo do norte da África, do leste do Mediterrâneo e do sul da Ásia, mas hoje se espalhou por diversas regiões do mundo. No Brasil e em Portugal, tornou-se comum tanto em jardins quanto como planta espontânea, especialmente em áreas de clima quente e seco.

Uma das características que contribuem para sua disseminação é sua tolerância a diferentes condições climáticas e de solo, pois cresce bem mesmo em locais áridos e pobres em nutrientes.

Toxicidade e Princípios Ativos

O que faz do oleandro uma planta tão perigosa é a presença de glicosídeos cardiotóxicos, substâncias químicas que afetam diretamente o coração. Os principais compostos tóxicos encontrados na planta são:

Oleandrina

Neriantina

Essas substâncias interferem na atividade elétrica do coração, podendo causar arritmias severas, colapso cardiovascular e morte.

O perigo da planta está em todas as suas partes: folhas, flores, caules, raízes e até mesmo o látex branco que exsuda quando a planta é cortada. A queima de oleandro também é extremamente perigosa, pois a inalação da fumaça pode resultar em intoxicação grave.

Toxicidade Extrema e Dose Letal

Os estudos sobre a toxicidade do oleandro indicam que a ingestão de uma única folha pode ser fatal para um adulto de 80 kg.

Em animais, a toxicidade também é altamente preocupante. Cães, gatos, gado e cavalos são particularmente sensíveis, e a ingestão acidental de qualquer parte da planta pode levar a convulsões, insuficiência cardíaca e morte em poucas horas.

Outro aspecto alarmante é a possibilidade de contaminação do mel produzido por abelhas que coletam néctar das flores do oleandro. Há registros históricos de casos de envenenamento humano por mel tóxico, reforçando o perigo dessa planta mesmo de forma indireta.

Sintomas de Envenenamento por Oleandro

A intoxicação por oleandro pode ocorrer por ingestão direta, contato com a pele ou mucosas e inalação da fumaça da queima da planta. Os sintomas incluem:

Queimação na boca e garganta

Salivação intensa

Náuseas e vômitos violentos

Cólicas abdominais e diarreia severa

Tonturas, sonolência e confusão mental

Bradicardia (diminuição da frequência cardíaca) e arritmias

Tremores, convulsões e colapso circulatório

Os efeitos tóxicos podem surgir poucos minutos ou até algumas horas após a exposição, dependendo da quantidade ingerida. Em casos graves, o envenenamento pode levar ao coma e à morte por insuficiência cardíaca.

Tratamento e Primeiros Socorros

O tratamento para intoxicação por oleandro deve ser imediato, pois não há antídoto específico para seus efeitos tóxicos. O principal objetivo do atendimento médico é reduzir a absorção das toxinas e controlar os sintomas.

As medidas terapêuticas incluem:

1. Lavagem gástrica e administração de carvão ativado para reduzir a absorção dos glicosídeos tóxicos.

2. Uso de antieméticos e protetores gástricos para minimizar o desconforto digestivo.

3. Monitoramento cardíaco rigoroso para tratar arritmias e possíveis colapsos cardiovasculares.

4. Administração de antiespasmódicos e reposição de eletrólitos para controlar distúrbios hidroeletrolíticos.

5. Se necessário, uso de marcapasso temporário para estabilizar o ritmo cardíaco.

Contato Ocular e Dermatológico

Em casos de contato ocular, a recomendação é lavar os olhos com água corrente imediatamente e aplicar colírios antissépticos sob supervisão médica. Já para exposição cutânea ao látex da planta, a limpeza com água e sabão neutro ajuda a minimizar os riscos de irritação.

O Fascínio e o Perigo do Oleandro

Apesar de sua alta toxicidade, o oleandro continua sendo uma planta amplamente cultivada em diversas regiões do mundo. Seu visual exuberante e resistência climática fazem dela uma escolha comum para fins ornamentais, especialmente em parques, jardins e estradas.

No entanto, é fundamental que seu cultivo seja feito com consciência e precaução, principalmente em locais frequentados por crianças e animais. O manejo adequado e o conhecimento sobre seus riscos são essenciais para evitar acidentes fatais.

Conclusão

O oleandro é um exemplo clássico de como a natureza pode combinar beleza e perigo em uma única espécie. Seu alto teor de glicosídeos cardiotóxicos faz com que sua ingestão seja potencialmente letal, exigindo cuidado extremo ao manusear ou cultivar essa planta.

Compreender os riscos, sintomas e tratamentos associados à intoxicação por oleandro pode salvar vidas. Dessa forma, embora seja uma das plantas mais mortais do mundo, o conhecimento e a precaução podem impedir tragédias desnecessárias.

Referências Bibliográficas

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