A Brosimum acutifolium, pertencente à família das Moraceae, é uma planta medicinal amplamente utilizada na fitoterapia tradicional da Amazônia. Conhecida popularmente como amapá-doce, congona, mururé, murerú, entre outros nomes, essa espécie tem despertado interesse crescente devido às suas propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e afrodisíacas. Sua rica composição química, que inclui alcaloides, taninos e látex, confere-lhe um potencial terapêutico promissor, tanto para uso interno quanto externo.
Características Botânicas e Distribuição Geográfica
O Brosimum acutifolium é um arbusto altamente ramificado, com folhas ovais e flores que inicialmente apresentam tonalidade violácea ou roxa, tornando-se brancas à medida que amadurecem. Seu perfume lembra o aroma do jasmim, o que o torna facilmente reconhecível. A planta é nativa da região amazônica, especialmente encontrada no Brasil, Bolívia e Peru, onde cresce em solos de terra firme.
Composição Química e Princípios Ativos
A riqueza fitoquímica do Brosimum acutifolium reside, principalmente, na casca e no látex, cujos compostos bioativos possuem diversas aplicações terapêuticas:
• Látex: Contém gordura, cera, goma e açúcar, elementos que contribuem para suas propriedades estimulantes e analgésicas.
• Casca: Rica em taninos, goma e o alcaloide murerina, que exerce efeito antirreumático e anti-inflamatório.
Essa combinação de substâncias confere à planta um perfil farmacológico diversificado, permitindo seu uso em diferentes contextos clínicos.
Propriedades Medicinais e Efeitos Farmacológicos
Estudos etnobotânicos e relatos da medicina popular destacam as seguintes propriedades terapêuticas do Brosimum acutifolium:
• Afrodisíaca: Estimula o sistema nervoso e muscular, aumentando a disposição física e sexual.
• Analgésica: Alivia dores musculares e reumáticas, especialmente as de origem sifilítica.
• Antifebril: Reduz a febre quando aplicada em forma de decocção externa.
• Anti-inflamatória: Atua no tratamento de processos inflamatórios articulares e musculares.
• Antissifilítica: Auxilia no combate aos sintomas da sífilis, sendo utilizado como adjuvante no tratamento da doença.
• Depurativa: Favorece a eliminação de toxinas do organismo, contribuindo para a saúde geral.
Essas propriedades são amplamente reconhecidas na fitoterapia tradicional, embora estudos científicos adicionais sejam necessários para comprovar sua eficácia em contextos clínicos modernos.
Indicações Terapêuticas
O uso medicinal do Brosimum acutifolium abrange uma variedade de condições, incluindo:
• Dores musculares e articulares, especialmente de origem reumática.
• Enfermidades renais e distúrbios do aparelho reprodutor masculino e feminino.
• Má circulação sanguínea nos membros inferiores.
• Sintomas da lepra e da sífilis, devido às suas propriedades antissifilíticas.
A planta é frequentemente utilizada como complemento aos tratamentos convencionais, proporcionando alívio dos sintomas e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Modos de Uso e Posologia
O Brosimum acutifolium pode ser administrado de diferentes formas, dependendo da condição a ser tratada:
1. Tintura da casca em álcool:
• Uso externo: Aplicada diretamente sobre áreas doloridas para aliviar dores musculares e reumáticas.
• Uso interno: Diluir algumas gotas em água, adoçada com mel, para tratar sífilis e reumatismo.
2. Látex:
• Dose de 5 gramas, diluída em chás de outras plantas com propriedades semelhantes, como a unha-de-gato (Uncaria tomentosa) ou o pau d’arco (Tabebuia impetiginosa).
3. Decocção da casca:
• Uso externo: Preparar uma infusão concentrada e aplicar em compressas para reduzir a febre.
É essencial respeitar as dosagens recomendadas, uma vez que o uso excessivo pode causar efeitos adversos. Além disso, o acompanhamento de um profissional de saúde é fundamental para garantir a segurança do tratamento.
Mecanismos de Ação e Evidências Científicas
Os taninos presentes na casca do Brosimum acutifolium possuem propriedades adstringentes e anti-inflamatórias, que contribuem para o alívio da dor e a redução da inflamação. O alcaloide murerina atua no sistema nervoso central, promovendo efeito estimulante e afrodisíaco. Já o látex, rico em açúcares e gorduras, auxilia na regeneração dos tecidos e melhora a circulação sanguínea.
Embora os benefícios da planta sejam amplamente reconhecidos na medicina tradicional, ainda são necessários estudos científicos adicionais para elucidar seus mecanismos de ação em nível molecular. Pesquisas realizadas por Santos et al. (2015) e Oliveira et al. (2018) destacam o potencial terapêutico de plantas da família Moraceae, ressaltando a necessidade de investigações clínicas para validar seu uso medicinal.
Precauções e Contraindicações
Apesar dos seus benefícios, o uso do Brosimum acutifolium deve ser realizado com cautela. O látex pode causar reações alérgicas em pessoas sensíveis, e o consumo excessivo da tintura pode provocar irritação gastrointestinal. Além disso, a planta não é recomendada para gestantes, lactantes e crianças sem orientação médica.
O Brosimum acutifolium, conhecido como amapá-doce ou mercúrio vegetal, representa um exemplo notável do potencial terapêutico das plantas amazônicas. Suas propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e afrodisíacas tornam-no um recurso valioso na fitoterapia tradicional. No entanto, é essencial que seu uso seja orientado por profissionais de saúde, garantindo a segurança e a eficácia do tratamento. À medida que a ciência avança, espera-se que novas pesquisas ampliem o conhecimento sobre essa planta, consolidando seu papel na medicina natural contemporânea.
Referências Bibliográficas
• OLIVEIRA, J. R. et al. Pharmacological properties of Moraceae family plants: A review. Journal of Ethnopharmacology, v. 227, p. 92-108, 2018.
• SANTOS, J. E. M. et al. Uso terapêutico das plantas medicinais da Amazônia: uma revisão científica. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v. 17, n. 4, p. 1052-1063, 2015.
• SIMÕES, C. M. O. et al. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 7. ed. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2017.