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Chenopodium ambrosioides: O Poder Medicinal do Mentruz

Descubra os benefícios do Chenopodium ambrosioides (mentruz), planta medicinal com propriedades digestivas, anti-helmínticas e cicatrizantes.

O Chenopodium ambrosioides, pertencente à família Amaranthaceae, é uma planta medicinal amplamente conhecida na fitoterapia tradicional por suas propriedades digestivas, anti-helmínticas e cicatrizantes. Popularmente chamada de erva-de-santa-maria, mastruço ou mentruz, essa herbácea possui um perfil fitoquímico rico em terpenos e ascaridol, o que lhe confere ações terapêuticas significativas. Apesar de seus benefícios, o uso inadequado pode causar efeitos tóxicos, exigindo orientação profissional para garantir sua segurança.

Características Botânicas e Distribuição Geográfica

O mentruz é uma planta herbácea de ciclo anual, com raízes oblongas e brancas de interior amarelado. Suas folhas são pequenas, lanceoladas e dentadas, enquanto as flores, discretas, apresentam tonalidade branca ou esverdeada. Os frutos secos abrigam sementes negras em abundância, responsáveis pela reprodução da planta.

Originário da América do Sul e Central, o mentruz cresce em ambientes tropicais e subtropicais, sendo encontrado em solos arenosos e áreas cultivadas. Sua adaptabilidade permitiu sua disseminação global, tornando-se uma espécie cosmopolita.

Composição Química e Princípios Ativos

O perfil fitoquímico do Chenopodium ambrosioides é responsável por suas propriedades medicinais, destacando-se os seguintes compostos bioativos:

Ascaridol: Terpeno com ação anti-helmíntica, utilizado no combate a parasitas intestinais.

Esteróides: Contribuem para a ação anti-inflamatória e cicatrizante da planta.

Saponinas: Possuem efeito diurético e estimulante do sistema digestivo.

Terpenos: Com propriedades carminativas, auxiliam na eliminação de gases intestinais.

Essa composição química diversificada confere ao mentruz um amplo espectro terapêutico, desde o alívio de distúrbios digestivos até o combate a infecções parasitárias.

Propriedades Medicinais e Efeitos Farmacológicos

O mentruz possui diversas aplicações terapêuticas, sendo amplamente utilizado na medicina popular para tratar distúrbios digestivos, parasitoses e lesões cutâneas. Suas principais propriedades incluem:

Tônico estomacal: Estimula a secreção gástrica, facilitando a digestão e aliviando sintomas de dispepsia.

Carminativo: Auxilia na eliminação de gases intestinais, reduzindo a sensação de inchaço abdominal.

Anti-helmíntico e vermífugo: Combate parasitas intestinais, como lombrigas e oxiúros, devido à presença do ascaridol.

Diurético: Favorece a eliminação de líquidos pelo organismo, auxiliando no tratamento de edemas.

Cicatrizante: Acelera a regeneração de tecidos lesionados, sendo eficaz no tratamento de feridas e úlceras cutâneas.

Antirreumático: Alivia dores articulares e musculares, especialmente em casos de reumatismo.

Esses efeitos são amplamente documentados em estudos etnobotânicos, embora ainda sejam necessárias pesquisas clínicas adicionais para validar seu uso em contextos médicos contemporâneos.

Indicações Terapêuticas

O Chenopodium ambrosioides é indicado para o tratamento de diversas condições de saúde, incluindo:

Distúrbios digestivos: Dispepsia, flatulência e afecções hepáticas.

Parasitoses intestinais: Lombrigas, oxiúros e outros helmintos.

Afecções pulmonares: A planta atua como expectorante, facilitando a eliminação de muco das vias respiratórias.

Lesões cutâneas: Feridas, úlceras e picadas de insetos, devido ao seu efeito cicatrizante.

Reumatismo: Reduz a dor e a inflamação em articulações afetadas pela doença.

Além disso, o mentruz é utilizado como repelente natural de pulgas e carrapatos, sendo aplicado diretamente sobre a pele ou em ambientes domésticos.

Modos de Uso e Posologia

O mentruz pode ser administrado de diferentes formas, dependendo da condição a ser tratada:

1. Infusão das folhas e sementes:

• Uso interno: Preparar uma infusão com 10 a 15 gramas da planta seca em 1 litro de água, ingerindo até três xícaras ao dia para aliviar distúrbios digestivos e parasitoses.

• Uso externo: Aplicar compressas da infusão em feridas e lesões cutâneas para acelerar a cicatrização.

2. Decocção das sumidades florais:

• Uso interno: Cozinhar as sumidades florais em água fervente e ingerir em doses moderadas para combater helmintos.

3. Suco das folhas frescas:

• Uso interno: Ingerir uma colher de sopa do suco puro, diluído em água, uma vez ao dia para tratar dispepsia e flatulência.

É essencial respeitar as dosagens recomendadas, uma vez que o consumo excessivo pode causar efeitos adversos.

Mecanismos de Ação e Evidências Científicas

O ascaridol, principal composto ativo do mentruz, age diretamente sobre os parasitas intestinais, inibindo sua atividade neuromuscular e facilitando sua eliminação pelo trato digestivo. As saponinas estimulam a secreção gástrica e a motilidade intestinal, promovendo uma digestão mais eficiente. Além disso, os esteróides e terpenos possuem efeito anti-inflamatório, contribuindo para o alívio da dor e da inflamação.

Pesquisas realizadas por Oliveira et al. (2016) e Santos et al. (2019) destacam o potencial terapêutico do Chenopodium ambrosioides, evidenciando sua eficácia no combate a parasitas intestinais e no alívio de distúrbios digestivos. No entanto, o uso da planta deve ser realizado com cautela, devido ao risco de toxicidade em doses elevadas.

Precauções e Contraindicações

Apesar de seus benefícios, o mentruz possui compostos tóxicos que podem causar efeitos adversos quando consumidos em excesso. Os principais riscos incluem:

• Náuseas, vômitos e dores abdominais.

• Irritação do trato gastrointestinal.

Efeitos neurotóxicos, como tontura e convulsões, em casos de superdosagem.

A planta é contraindicada para gestantes, lactantes e crianças, devido ao risco de aborto e toxicidade. Além disso, seu uso deve ser evitado por pessoas com doenças hepáticas ou renais.

Conclusão

O Chenopodium ambrosioides, conhecido como mentruz ou erva-de-santa-maria, é uma planta medicinal de grande importância na fitoterapia tradicional. Suas propriedades digestivas, anti-helmínticas e cicatrizantes tornam-no um recurso terapêutico valioso, desde que utilizado de forma segura e sob orientação profissional. A pesquisa científica continua a explorar seus benefícios, contribuindo para a validação de seu uso na medicina natural contemporânea.

Referências Bibliográficas

• OLIVEIRA, J. R. et al. Pharmacological properties of Chenopodium ambrosioides: A review. Journal of Ethnopharmacology, v. 185, p. 187-194, 2016.

• SANTOS, J. E. M. et al. Uso terapêutico das plantas medicinais da América do Sul: uma revisão científica. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v. 21, n. 4, p. 1052-1063, 2019.

• SIMÕES, C. M. O. et al. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 7. ed. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2017.