Conheça a Melissa officinalis, suas propriedades digestivas, sedativas e antivirais, além de indicações, farmacologia, cultivo e formas de uso.
A Melissa officinalis, popularmente conhecida como erva-cidreira, é uma planta medicinal amplamente utilizada devido às suas propriedades digestivas, sedativas e antivirais. Pertencente à família das Lamiaceae, essa planta é cultivada em diversas regiões do mundo, sendo valorizada tanto na medicina tradicional quanto na fitoterapia moderna. Neste artigo, abordaremos sua descrição botânica, cultivo, farmacologia, indicações terapêuticas e formas de uso, citando referências científicas para embasar suas propriedades.
Descrição Botânica
A Melissa officinalis é uma planta perene de folhas verde-claras em formato de coração e flores amarelo-claras que, ao amadurecerem, adquirem tonalidade branca rosada. O caule é quadrangular e ramificado, formando touceiras. Seu aroma cítrico, semelhante ao do limão, torna-se mais intenso quando as folhas são esmagadas.
O fruto é composto por quatro aquênios ovais, lisos e castanhos. A propagação pode ocorrer por sementes, divisão de touceiras ou estacas. As sementes devem ser deixadas em água morna por 24 horas antes do plantio, preferencialmente na primavera. A planta cresce melhor em solos férteis, ricos em matéria orgânica, bem drenados e com boa exposição solar, embora deva ser protegida de calor excessivo.
Cultivo e Colheita
O cultivo da Melissa officinalis deve ser realizado em solos secos, arejados e férteis. A irrigação é essencial em períodos secos. A colheita ocorre durante a floração, quando as folhas e os galhos tenros possuem maior concentração de princípios ativos. Após a colheita, as folhas e ramos florais devem ser secos à sombra, em local ventilado, e armazenados em recipientes de vidro ou porcelana, protegidos da umidade.
Origem e Histórico de Uso
Originária da Europa Meridional, Ásia Ocidental e Norte da África, a Melissa officinalis foi utilizada como erva medicinal desde a Antiguidade. O naturalista romano Plínio, o grego Dioscórides e os herbalistas medievais Paracelso e John Gerard descreveram suas propriedades calmantes e digestivas. O nome “melissa” deriva do grego, significando “abelha”, em referência à atração que a planta exerce sobre esses insetos.
Composição Química e Farmacologia
As folhas da erva-cidreira contêm entre 0,2% e 0,3% de óleo essencial, composto por monoterpenos e sesquiterpenos, como geraniol, nerol, citronelol, linalol e óxido de beta-alriofileno. O ácido rosmarínico, presente na planta, possui propriedades anti-inflamatórias e antivirais.
Estudos demonstraram que o ácido cafeico e seus derivados exibem atividade antiviral contra o vírus herpes simplex (HSV) e HIV-1. Além disso, os oligômeros do ácido cafeico, o ácido rosmarínico e o ácido lijó pérmico são eficazes no tratamento da doença de Graves, uma condição autoimune que afeta a tireoide. O ácido rosmarínico também inibe as convertas C3 e C5, responsáveis pela cascata inflamatória do sistema complementar.
O extrato hidroalcoólico da planta possui efeito sedativo em modelos experimentais com camundongos, enquanto o óleo essencial apresenta atividade mais fraca ou inativa nos mesmos testes. Ensaios clínicos com creme à base de Melissa officinalis demonstraram eficácia na redução de lesões labiais causadas pelo vírus herpes simplex.
Farmacologia:
As folhas da erva-cidreira contém 0,2 a 0,3% de um óleo essencial com um aroma parecido com limão, similar ao capim-limão. O composto R-(+)-citronela to de metila é característico do óleo de erva-cidreira e possibilita a distinção entre este óleo e o óleo do capim-limão; A melissa tem atividade contra vários vírus, incluindo herpes simplex (HSV) e HIV-1. Essa atividade foi atribuída ao ácido cafeico e aos seus derivados, e aos taninos ; A ação benéfica da erva-cidreira na doença de Graves foi atribuída aos oligômeros do ácido cafeico, assim também como ácido rosmarínico e ácido lijó pérmico. Acredita-se que a oxidação dos derivados do ácido cafeico para as ortoquinonas seja importante para esta atividade biológica; O ácido rosmarínico também foi demonstrado inibir as etapas das convertases C3 e C5 na cascata do sistema complementar. Esta ação pode ter uma função na atividade anti-inflamatória do extrato de erva-cidreira, pois esta ação foi observada in vivo e in vitra, em ratos que receberam este componente químico por via oral; O uso medicinal tradicional da erva cidreira é como sedativo e antiespasmódico. Previamente, essa atividade foi atribuída ao óleo volátil. O extrato hidroalcoólico liofilizado, que não contém os componentes do óleo volátil, teve uma atividade sedativa em vários modelos de camundongos quando foi administrado na região intraperitoneal. Este extrato também se mostrou ativo em testes de dor por injeção de ácido acético, mas não em testes de dor por prato quente. O óleo volátil da planta teve atividade muito mais fraca ou mostrou-se inativo nos mesmos testes; Ensaios clínicos de um creme de extrato de erva-cidreira mostrou evidência de atividade antiviral contra lesões labiais provocadas pelo vírus herpes simples (HSV); Melissa também foi utilizada no tratamento da doença de Graves, doença em que a tireoide é anormalmente ativada pela imunoglobulina estimulante da tireoide (TSI); Extratos de erva-cidreira seco e congelado sequestraram a tirotropina, prevenindo que a tirotropina e a TSI na doença de Graves ativassem os seus respectivos receptores. Porém o extrato de erva-cidreira mostrou possuir menos potência que os extratos de Lithospermum officinalis, Lycopus virginicus, e Lycopus europaeus. Nenhum estudo clínico foi realizado para investigar a ação sedativa, antiviral ou contra a doença de Graves da erva cidreira em seres humanos.
Posologia:
Extrato bruto: 1 ,5 a 4,5 mg/dia; Uma preparação padronizada do extrato de erva-cidreira comercial disponível nos EE.UU. contém 80 mg do extrato das folhas de Melissa olficinalis e 160 mg do extrato da raiz de valeriana, recomendado 2 ou 3 vezes ao dia como sonífero. Creme: 1 % do extrato para uso tópico em herpes; 2g de folhas e ramos frescos ou 1 g de folhas e ramos secos (1 colher de sobremesa para cada xícara de água) em infuso ou decocto para uso interno em dores de cabeça, cólicas diversas, dispepsia, ansiedade e nervosismo; Tintura composta com alfazema e camomila para aplicação tópica na pele do rosto, especialmente em peles cansadas; 30g de planta fresca ou 3 gotas de óleo essencial na água do banho, deve secar na pele; Compressas com folhas vaporizadas diretamente s0bre os mamilos de lactentes evitam ou tratam entupimentos e promovem a lactação.
Modo de usar:
– infusão de 25 a 50 g de folhas verdes em um litro de água. Tomar 3 a 4 xícaras ao dia; – infusão de 1 xícara das de cafezinho de folhas verdes picadas para ½ litro de água. Tomar 1 xícara das de chá 4 vezes ao dia;
– infusão de 2 a 4 g de folhas secas três vezes ao dia; – infusão de 3 colheres (chá) de folhas secas em 1 xícara de água (sedante);
– folhas frescas: aplicar sobre os olhos, para inflamações;
– lavagens intestinais com o infuso (tenesmo e diarreia de sangue); – bochechos: dores de dente; – suco: mistura-se um pouco de sal às folhas contusas (caxumba);
– cataplasma: . das folhas frescas contusas, aplica-se sobre o ventre, para dores de estômago, fígado e intestino; para picadas de insetos e entupimento das mamas;
– decocto das folhas a 3% – ação calmante em dores;
– extrato fluido em álcool 45%: 2 a 4 ml três vezes ao dia;
– tintura 1:5 em álcool 45% 2 a 6 ml três vezes ao dia; – tintura mãe: 40 a 50 gotas, três vezes ao dia; – alcoolato: 2 a 5 g ao dia;
– extrato alcoólico: 1,5 a 2,0 g ao dia; – macerado: 3 a 5 gs de erva em 100 ml de vinho branco por 5 dias. Tomar um cálice pequeno 2 ou 3 vezes ao dia: baixar febre de gripe; – licor caseiro: 2 mãos cheias de folha de melissa amassadas, 1 litro de vodca, 3/4 xícara de mel, casca ralada de um limão. Agite bem e deixe descansar uma semana. Coe, engarrafe e espere três semanas antes de usar; – aromatizante em saladas de hortaliças e frutas, omelete, molhos, carnes, etc.
Tônico para a pele cansada do rosto: em um recipiente, coloque 3 colheres de sopa de folhas e ramos florais, 1 colher de sopa de alfazema e 1 colher de sopa de camomila e adicione 1 xícara de chá de álcool a 50%. Misture bem. Deixe em maceração por 10 dias, em recipiente bem fechado e coe. Aplique com um chumaço de algodão, antes de dormir ou quando estiver com a aparência cansada.
Banho: coloque 5 colheres de sopa de folhas e ramos florais picados em 1/2 litro de água em fervura. Desligue o fogo, espere amornar e coe. Adicione a água morna do banho. Faça banho de imersão por 15 minutos, antes de dormir. Após o banho não enxugue, coloque somente uma toalha de proteção ao corpo.
Referências Bibliográficas:
- BRUNETON, J. Farmacognosia, Fitoquímica, Plantas Medicinais. 2ª ed. Zaragoza: Acribia, 2001.
- DUKE, J. A. Handbook of Medicinal Herbs. CRC Press, 2002.
- SCHULZ, V.; HÄNSEL, R.; TYLER, V., E. Rational Phytotherapy: A Physician ‘s Guide to Herbal Medicine.Springer, 2001.
Propriedades Medicinais e Indicações Terapêuticas
A Melissa officinalis é reconhecida por suas propriedades digestivas, sedativas, antiespasmódicas e antivirais. Entre suas principais indicações terapêuticas, destacam-se:
- Sistema Digestivo: Alívio de cólicas intestinais, gases, dispepsia e dores estomacais.
- Sistema Nervoso: Redução da ansiedade, insônia, nervosismo e cefaleias.
- Sistema Respiratório: Tratamento de tosses, resfriados, rouquidão e faringite.
- Pele e Mucosas: Alívio de herpes labial, picadas de insetos e inflamações cutâneas.
- Sistema Endócrino: Auxílio no controle do hipertireoidismo, especialmente na doença de Graves.
Contraindicações incluem o uso por pessoas com hipersensibilidade à planta. Efeitos colaterais podem incluir redução da frequência cardíaca e sensação de torpor em doses elevadas.
Precauções e Superdosagem
O uso excessivo da Melissa officinalis pode causar cefaleia, redução da pulsação e sensação de entorpecimento. Em caso de reações adversas, recomenda-se suspender o uso imediatamente. O acompanhamento médico é essencial, especialmente em tratamentos prolongados.
A Melissa officinalis é uma planta medicinal de ampla aplicação terapêutica, cujas propriedades digestivas, sedativas e antivirais são reconhecidas tanto na medicina tradicional quanto na fitoterapia moderna. Seus compostos bioativos, como o ácido rosmarínico e o geraniol, desempenham papel crucial em suas atividades anti-inflamatórias, antivirais e calmantes. O cultivo e uso adequado da planta garantem o aproveitamento de seus benefícios, sempre respeitando as doses recomendadas para evitar efeitos colaterais.