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Melilotus officinalis: Propriedades e Usos Terapêuticos

Descubra os benefícios do Melilotus officinalis, conhecido como trevo-amarelo, com propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e venotônicas.

O Melilotus officinalis, conhecido popularmente como trevo-amarelo ou coroa-de-rei, destaca-se na fitoterapia devido às suas propriedades cicatrizantes, antiflogísticas e antiedematosas. Pertencente à família Fabaceae, essa planta bianual não apenas contribui para a saúde humana, mas também desempenha um papel ecológico, atraindo abelhas e enriquecendo o solo. Este artigo explora suas características botânicas, compostos bioativos, benefícios terapêuticos e precauções, com base em estudos científicos e fontes especializadas.

Descrição Botânica

O Melilotus officinalis pode atingir até 70 centímetros de altura, apresentando ramos ascendentes ou prostrados, com folhas trifoliadas e flores amarelas dispostas em cachos alongados. Seus frutos são vagens curtas e enrugadas, contendo uma ou duas sementes lisas. O aroma doce, intensificado após a secagem, não apenas atrai polinizadores, mas também confere propriedades aromáticas à planta.

As partes mais utilizadas na fitoterapia são as folhas e as flores, colhidas preferencialmente durante a floração, quando a concentração de compostos bioativos atinge seu ápice (Bruneton, 1999).

Histórico de Uso

O uso terapêutico do Melilotus officinalis remonta à antiguidade, sendo mencionado por Galeno, médico grego do século II d.C., devido às suas propriedades anti-inflamatórias e digestivas. Na Europa medieval, era empregado tanto como forragem quanto em tratamentos populares para problemas circulatórios e respiratórios. O nome científico deriva do latim mel (mel) e lotus (lótus), em referência ao seu aroma adocicado.

Composição Química

A eficácia medicinal do Melilotus officinalis deve-se à presença de diversos compostos bioativos, incluindo:

Cumarinas: ácido cumárico, melitosídeo, melilotina e escopoletina, responsáveis pelas propriedades anti-inflamatórias e anticoagulantes (Newall et al., 1996).

Flavonoides: kaempferol e quercetina, com ação antioxidante e vasoprotetora.

Saponinas triterpênicas: azuki saponina-V­carboxilato, contribuintes para o efeito emoliente e cicatrizante.

Óleos essenciais: presentes em pequenas quantidades, conferindo propriedades aromáticas e antiespasmódicas.

Propriedades Medicinais e Mecanismos de Ação

O Melilotus officinalis apresenta um amplo espectro de atividades terapêuticas, comprovadas por estudos experimentais e clínicos:

Atividade anti-inflamatória e cicatrizante: As cumarinas reduzem o edema tecidual ao aumentar a drenagem linfática, facilitando a reabsorção de líquidos e acelerando a cicatrização de feridas (Bruneton, 1999).

Ação venotônica e linfocinética: A planta fortalece as paredes dos vasos sanguíneos, aliviando sintomas de insuficiência venosa crônica, como dor, peso nas pernas, câimbras noturnas e edemas (Newall et al., 1996).

Efeito digestivo e carminativo: Estimula a produção de sucos gástricos, auxiliando em casos de má digestão, azia e hiperacidez estomacal.

Propriedades antiespasmódicas e sedativas: Atua no sistema nervoso central, aliviando insônia, ansiedade e dores de cabeça.

Indicações Terapêuticas

O uso do Melilotus officinalis é indicado para o tratamento de diversas condições, entre as quais destacam-se:

Afecções circulatórias: Insuficiência venosa crônica, varizes, hemorroidas, linfedema e síndromes pós-trombóticas.

Distúrbios digestivos: Dispepsia, flatulência, azia e hiperacidez gástrica.

Problemas respiratórios: Tosse, bronquite, resfriados e rouquidão, especialmente quando adoçado com mel.

Afecções cutâneas e oculares: Eritema, conjuntivite e traumatismos leves, por meio de compressas e loções.

Contraindicações e Efeitos Adversos

Apesar dos benefícios, o uso do Melilotus officinalis requer precaução. A presença de dicumarol em plantas emboloradas pode causar hemorragias, especialmente em pacientes com distúrbios de coagulação. Em doses elevadas, pode provocar cefaleia, torpor e transtornos hepáticos temporários, sendo recomendável monitorar as enzimas hepáticas durante o tratamento (Newall et al., 1996).

Modo de Uso e Posologia

O uso terapêutico pode ocorrer tanto por via interna quanto externa, conforme a necessidade:

Infusão interna: 4 g de folhas secas ou 8 g de folhas frescas (cerca de duas colheres de sopa) em uma xícara de água fervente, ingeridas até três vezes ao dia, com intervalos mínimos de 12 horas. Crianças devem receber doses proporcionalmente menores, conforme a idade.

Uso externo: Para compressas e loções, prepara-se uma infusão com 30 a 50 g da planta por litro de água. A aplicação tópica é indicada em casos de eritema cutâneo, contusões e conjuntivite.

Emplastros e pomadas: A planta fresca pode ser utilizada diretamente sobre a pele, em forma de emplastros ou incorporada a unguentos.

Considerações Finais

O Melilotus officinalis exemplifica a riqueza da fitoterapia, oferecendo benefícios comprovados para o sistema circulatório, digestivo e respiratório. No entanto, seu uso deve ser orientado por profissionais qualificados, respeitando as doses recomendadas para evitar efeitos adversos. A continuidade das pesquisas científicas é essencial para ampliar o conhecimento sobre seus mecanismos de ação e aplicações terapêuticas.

Referências Bibliográficas

• BRUNETON, J. Farmacognosia: Fitoquímica, Plantas Medicinais. 2ª ed. São Paulo: Editora Santos, 1999.

• NEWALL, C. A.; ANDERSON, L. A.; PHILLIPSON, J. D. Plantas Medicinais: Guia para Profissionais da Saúde. São Paulo: Editora Atheneu, 1996.