Descubra as propriedades e os benefícios do mastruço-do-sul, uma planta medicinal versátil com aplicações no tratamento do hipertireoidismo e mais.
O Lepidium sativum, conhecido popularmente como mastruço-do-sul, é uma planta da família Brassicaceae, valorizada tanto pelo seu uso medicinal quanto pela aplicação na culinária. Outras denominações comuns incluem mastruço hortense, agrião-da-terra-enxuta, agrião-de-jardim, agrião-da-índia e agrião-mouro. De crescimento rápido e sabor levemente picante, o mastruço é uma presença marcante nos jardins e nas cozinhas, sendo também reconhecido como uma planta de grande potencial terapêutico.
Características Botânicas e Origem
O mastruço-do-sul é uma planta herbácea, originária de regiões da África, Ásia e Egito, e apresenta diversas adaptações às condições climáticas temperadas. Sua flor alaranjada é uma característica marcante, enquanto suas folhas basais possuem longos pecíolos, ao passo que as folhas do caule são mais lineares. As pétalas da flor têm o dobro do comprimento das sépalas, e o fruto é uma silíqua suborbicular, alada na parte superior.
Segundo a descrição científica publicada por Lineu em Species Plantarum (1753), o Lepidium sativum é um exemplo clássico de uma planta de importância histórica e medicinal, utilizada há séculos para tratar diversas condições de saúde. Estudos etnobotânicos apontam que, nas civilizações antigas, o mastruço já era empregado como antiescorbútico e depurativo do sangue (Tropicos.org, 2014).
Propriedades Medicinais e Benefícios
O mastruço-do-sul destaca-se por suas múltiplas propriedades medicinais. É reconhecido como uma planta adstringente, antiescorbútica, anti-inflamatória, antitérmica e antitussígena. Além disso, atua como cicatrizante, descongestionante, diurético, hidratante, expectorante e fluidificante.
Entre seus principais benefícios, o consumo regular do mastruço cru é indicado como um depurativo natural, auxiliando na eliminação de substâncias uricas e estimulando o metabolismo, a circulação e a secreção de sucos gástricos e biliares. Por essa razão, é uma planta recomendada no tratamento de distúrbios metabólicos e digestivos.
Estudos farmacológicos recentes reforçam o potencial terapêutico do mastruço-do-sul, especialmente no combate ao hipertireoidismo e ao escorbuto. No contexto histórico, o escorbuto era uma das principais doenças enfrentadas por marinheiros em longas viagens marítimas, sendo o mastruço amplamente utilizado para prevenir essa condição devido ao seu alto teor de vitamina C.
Modo de Uso e Aplicações Práticas
As partes utilizadas do mastruço-do-sul incluem toda a planta, especialmente suas folhas frescas. O suco fresco é uma das formas mais eficazes de aproveitamento medicinal.
Para o tratamento do hipertireoidismo, recomenda-se extrair entre 60 a 100 gramas de suco das folhas frescas. Esse suco pode ser consumido diretamente ou diluído em água, dependendo da tolerância individual.
Além de seu uso medicinal, o mastruço também é apreciado na culinária por seu sabor marcante e suas propriedades digestivas. As folhas podem ser utilizadas em saladas, sopas e molhos, conferindo um toque picante e nutritivo às preparações.
O Mastruço e a Fitoterapia Atual
O interesse científico pelas plantas medicinais, incluindo o mastruço-do-sul, tem crescido nas últimas décadas, com diversos estudos destacando suas propriedades bioativas. A fitoterapia moderna reconhece o potencial das plantas da família Brassicaceae, especialmente devido à presença de compostos como glucosinolatos, que têm efeito antioxidante e anti-inflamatório comprovado (Bennett et al., 2006).
Além disso, a popularização da alimentação funcional trouxe à tona a importância do consumo de plantas com propriedades depurativas e digestivas, como o mastruço, que atua como um coadjuvante natural na manutenção da saúde metabólica.
Considerações Finais
O mastruço-do-sul, ou Lepidium sativum, é uma planta versátil, rica em história e aplicações terapêuticas. Seu uso regular pode contribuir significativamente para a promoção da saúde, especialmente como depurativo e auxiliar no tratamento de condições metabólicas.
No entanto, é sempre importante consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento fitoterápico, especialmente em casos de condições crônicas ou uso concomitante de medicamentos.
Como bem lembrou Lineu (1753) em suas classificações botânicas, cada planta guarda em si um potencial único, sendo nossa responsabilidade redescobri-lo e utilizá-lo para o bem-estar humano.
Referências
- Bennett, R. N., & Wallsgrove, R. M. (2006). Secondary metabolites in Brassicaceae plants: a comprehensive review. Journal of the Science of Food and Agriculture, 86(14), 1729–1741.
- Lineu, C. (1753). Species Plantarum. Estocolmo: Impensis Laurentii Salvii.
- Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. Disponível em: http://www.tropicos.org/Name/4100212. Acesso em: 10 out. 2014.