Marrubium vulgare: planta medicinal com propriedades digestivas, expectorantes e coleréticas. Saiba como usar, benefícios e precauções.
O Marrubium vulgare, também conhecido como hortelã-grande, marrubio-branco ou simplesmente marrúbia, é uma planta perene pertencente à família das Lamiaceae. Originária da Europa e Ásia, a planta se destaca por suas propriedades medicinais, sendo utilizada há séculos na medicina popular. Hoje, seu cultivo e uso se expandiram para as Américas, consolidando sua relevância tanto na fitoterapia quanto na indústria de alimentos, especialmente em licores, doces e pastilhas para tosse.
Com hastes quadradas, folhas ovadas e flores branco-amareladas que surgem durante o verão, o Marrubium vulgare cresce em terrenos secos e áridos, frequentemente encontrado em campos incultos, caminhos e muros. Seu nome científico deriva da palavra hebraica “marrom”, que significa “amargo”, uma referência ao seu sabor característico. Essa amargura, aliás, está diretamente relacionada aos compostos químicos que conferem à planta suas propriedades terapêuticas.
Habitat e Cultivo
Embora nativo da Europa e da Ásia, o marrúbio se adaptou facilmente a diferentes regiões do mundo. Encontrado hoje em partes da América do Norte e do Sul, ele prospera em ambientes secos, com solos arenosos e boa drenagem. Seu cultivo se assemelha ao da menta, exigindo pouca manutenção, o que o torna uma escolha popular para quem busca plantas medicinais de fácil manejo.
O plantio em terrenos áridos favorece o desenvolvimento de suas propriedades terapêuticas, já que as condições adversas estimulam a produção de compostos bioativos, como as lactonas diterpênicas e os ácidos fenólicos, que desempenham papel fundamental na ação digestiva e expectorante da planta.
História e Uso Tradicional
O uso do marrubio remonta à Antiguidade, quando já era reconhecido por suas propriedades curativas. Na Idade Média, era frequentemente empregado no tratamento de problemas respiratórios, digestivos e hepáticos. Além disso, fazia parte de receitas de licores e vinhos medicinais, sendo também utilizado como condimento em alimentos e bebidas.
A Comissão E — órgão regulador alemão para fitoterapia — aprovou o uso do Marrubium vulgare para tratar perda de apetite e distúrbios digestivos associados a disfunções hepatobiliares, como enfartamento e flatulência. Essa validação científica trouxe ainda mais credibilidade ao uso da planta na medicina moderna.
Propriedades e Benefícios Medicinais
O Marrubium vulgare possui uma ampla gama de propriedades terapêuticas, sendo reconhecido como digestivo, expectorante, colerético, antipirético e vasodilatador. Seu uso é indicado para diversas condições, especialmente em casos de:
- Tosse produtiva e bronquite
- Disfunções digestivas e problemas hepáticos leves
Os principais compostos bioativos responsáveis por suas propriedades são as lactonas diterpênicas, como a marrubiina, que exerce ação expectorante e estimula a secreção brônquica. Além disso, estudos em animais indicam que o ácido derivado da marrubiina pode ter efeito colerético, estimulando temporariamente a secreção de bile.
Formas de Uso e Posologia
O marrubio pode ser utilizado de diversas formas, dependendo da indicação:
- Infusão: Uma colher de sobremesa de folhas secas para cada xícara de água quente, consumida três vezes ao dia.
- Tintura (1:10): De 50 a 100 gotas, uma ou duas vezes ao dia.
- Pó: Cápsulas de 100 mg, tomadas até cinco vezes ao dia.
- Vinho Medicinal: Macerar 60 g da planta seca em 1 litro de vinho e consumir 150 ml ao dia.
Apesar de seus benefícios, o uso prolongado ou em doses elevadas deve ser evitado devido ao potencial de toxicidade. Entre os efeitos adversos, destacam-se irritações gastrointestinais e, em casos de superdosagem, irregularidades cardíacas.
Contraindicações e Precauções
Por sua ação estimulante, o Marrubium vulgare é contraindicado para gestantes, já que pode apresentar efeitos abortivos. Embora estudos sobre sua segurança durante a gravidez ainda sejam inconclusivos, o melhor é evitar o uso. Além disso, pessoas com histórico de náuseas, vômitos ou gastroenterites devem consumir a planta com moderação e sempre sob orientação médica.
Outra recomendação importante é utilizar corretores de sabor ao preparar infusões, já que o gosto amargo pode ser desagradável para algumas pessoas. O uso intermitente, por períodos curtos, é a melhor estratégia para evitar efeitos adversos.
Estudos Farmacológicos
Pesquisas recentes investigaram os efeitos do óleo volátil do Marrubium vulgare, identificando suas propriedades expectorantes e vasodilatadoras. Embora o estudo em ratos não tenha encontrado evidências claras de estímulo à secreção de bile pela marrubiina, descobriu-se que o ácido de marrubiina e seu sal de sódio têm potencial colerético temporário. Esses resultados abrem caminho para novas pesquisas sobre a aplicação clínica da planta.
O Marrubium vulgare é um exemplo fascinante de como a sabedoria popular e a ciência podem convergir para oferecer soluções naturais para problemas de saúde. No entanto, como todo remédio natural, seu uso requer conhecimento e responsabilidade. É sempre recomendável consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento fitoterápico, especialmente em casos de condições crônicas ou uso concomitante com medicamentos.
Em um mundo onde buscamos cada vez mais alternativas naturais, o marrubio se apresenta como uma planta versátil e poderosa. Resgatar seu uso consciente é uma forma de honrar a tradição e, ao mesmo tempo, beneficiar-se de suas propriedades comprovadas pela ciência moderna.