Ricinus communis: planta medicinal e industrial, conhecida como mamona. Descubra suas propriedades, usos e precauções essenciais.
A Ricinus communis, amplamente conhecida como mamoneira, é uma planta da família das Euforbiáceas com ampla distribuição em regiões tropicais e subtropicais. Suas propriedades medicinais e industriais têm sido exploradas desde a Antiguidade, tornando-a uma espécie de grande interesse para a farmacologia, a agricultura e a indústria química. Este artigo busca aprofundar o conhecimento sobre a mamona, abordando desde sua descrição botânica até suas aplicações terapêuticas e potenciais riscos.
Descrição Botânica e Origem
A mamoneira é um arbusto ou pequena árvore anual, com altura que pode chegar a 3 metros. Suas folhas são grandes, palmadas, alternas e possuem formato estrelado com até oito pontas. As flores unissexuadas, que coexistem no mesmo ramo, organizam-se em grandes cachos eretos. Já os frutos, cápsulas espinhosas, contém três sementes de coloração variada, que vão do cinza claro ao escuro, com pintas marrons ou pretas.
Originária da região da Abissínia, na África, e da Índia Ocidental, a Ricinus communis adaptou-se bem às condições climáticas de países como o Brasil, onde se naturalizou e é amplamente cultivada.
História e Utilizações Tradicionais
Desde a Antiguidade, a mamona é utilizada tanto em contextos medicinais quanto industriais. Os egípcios, por exemplo, empregavam o óleo de rícino como combustível para lâmpadas, unguento e purgativo, misturando-o com cerveja. Com o tempo, seu óleo passou a ser valorizado na indústria, especialmente por sua rápida secagem e por não amarelar, o que o tornou ideal para a produção de lubrificantes e tintas.
Além disso, o nome “ricinus” vem do latim e significa “carrapato”, em referência à semelhança das sementes com o pequeno inseto. Curiosamente, as sementes eram usadas como ornamentos em tempos passados.
Cultivo e Processamento
O cultivo da mamoneira é simples, pois a planta não exige condições climáticas rigorosas e prefere solos orgânicos e bem drenados. A multiplicação ocorre por sementes, plantadas com espaçamento adequado para garantir o desenvolvimento. Após seis meses do plantio, inicia-se a colheita, que pode render até três safras por ano.
O óleo de rícino, principal produto extraído da mamona, é obtido das sementes por prensagem e subsequente purificação. Esse óleo deve ser armazenado em recipientes de vidro bem vedados para preservar sua qualidade.
Propriedades Medicinais e Indicações
A Ricinus communis é amplamente conhecida por suas propriedades terapêuticas, sendo usada como:
- Vermífugo e purgativo (uso interno): Ideal para combater parasitas intestinais e regular o trânsito intestinal.
- Emoliente e cicatrizante (uso externo): Aplicado em queimaduras, feridas e lesões cutâneas.
- Catártico e analgésico: Útil em situações que requerem alívio de dores localizadas.
Além disso, estudos sugerem potenciais propriedades anticancerígenas e anti-inflamatórias, embora evidências clínicas mais robustas ainda sejam necessárias.
Indicações Específicas
- Parasitas intestinais: O óleo de rícino é tradicionalmente ingerido em pequenas doses para eliminar vermes.
- Problemas dermatológicos: Feridas, eczemas, herpes e calvície podem ser tratados topicamente com preparações à base de óleo de rícino.
- Saúde capilar e cutânea: Misturas simples com óleo de rícino são eficazes para fortalecer cabelos e unhas, além de prevenir rugas.
O óleo de rícino:
O óleo de rícino é obtido por extração fria das sementes, que contêm 45% a 50% de óleo. O óleo é uma mistura de triglicerídeos, dos quais o compõe 75% a 90%. Esta mistura é hidrolisada pelas lipases do duodeno, liberando o ácido ricinoleico, que exerce um efeito catártico. O material restante após a extração do óleo é a torta de mamona; As fitotoxinas rícino e ricina estão presentes na torta e no óleo. O rícino é uma glicoproteína do peso molecular aproximado em 65.000 daltons, consistindo de uma corrente A neutra e uma corrente B ácida, que estão conectadas por ligações de dissulfeto. A corrente de A inibe a síntese de proteínas, que causa a morte celular e a corrente de B serve para ligar a proteína à superfície da célula. O rícino pode ser subdividido em rícino D que é altamente tóxico, em rícino acídico e em rícino básico. O alcaloide tóxico ricinina é encontrado nas sementes e nas folhas. Comercialmente, os óleos e tortas são obtidos pela prensa fria ou são tratado a vapor para desnaturar as toxinas.
Posologia:
As sementes contêm uma lipase e um complexo alergênico designado CBA (sigla em Inglês para Castorbean aliergen – alergênico da semente de mamona); O rícino é uma glicoproteína do peso molecular aproximado em 65.000 daltons, consistindo de uma corrente A neutra e uma corrente B ácida, que estão conectadas por ligações de disulfeto. A corrente de A inibe a síntese de proteínas, que causa a morte celular, e a corrente de B serve para ligar a proteína à superfície da célula. O rícino é um veneno protoplásmico que é absorvido em apenas 30 segundos, assim rapidamente inibindo o processo de elongamento de cadeias proteicas. Esta molécula liga-se as células e interrompe a síntese do DNA e o metabolismo celular de proteínas causando a morte celular. Ingestão, inalação ou administração intravenosa do rícino resultam em uma morte rápida; A mamona é uma planta comumente cultivada. O uso decorativo das sementes aumenta a probabilidade de toxicidade, pois as sementes geralmente são perfuradas, assim rompendo o revestimento externo e expondo as toxinas. Se as sementes são engolidas sem mastigar, envenenamento é improvável, pois o revestimento impermeável da semente permanece intacto; A dose letal mínima (administrada via intraperitoneal) nos ratos é 0.028 mcg de rícino bruto por cada grama do peso do rato. Em humanos, apenas um ou duas sementes mastigadas são letais. Embora as sementes sejam as mais tóxicas, as folhas também podem causar envenenamento. A toxicidade é caracterizada pela queimação da boca e da garganta, por dores de estômago severas, visão embaçada, falha renal, uremia e morte. O tratamento é similar àquele de outros envenenamentos por fitotoxinas e geralmente consiste em terapia de suporte. A toxina ricinina causa náusea, vômito, gastrenterite hemorrágica, dano hepático e renal, convulsões e morte; Deve-se ressaltar que análises mais recentes de dados clínicos sobre casos de envenenamento por mamona (confirmados), sugerem que a ingestão de sementes de mamona nem sempre conduzem à toxicidade severa. Em um caso, mais de nove crianças ingeriram as sementes e não apresentaram nenhum sinal de toxicidade. Em um outro caso mais dramático, uma mulher com 38anos de idade ingeriu não menos de 24 sementes que tinham sido cortadas e picadas para garantir a absorção. Ela foi tratada para induzir o vômito e permaneceu completamente assintomática. Apesar destas experiências bem sucedidas mais recentes, o envenenamento por mamona sempre deve ser tratado como uma emergência médica séria; Resultados de estudo em animais – o composto rícino apresenta-se ativo em ratos inoculados com células de leucemia L 1210. Quando administrado por via intraperitonial, seu efeito foi superior ao do composto 5-fluorouracH, porém menor do que o efetor obtido com a adriamicina. O rícino não mostrou nenhum efeito quando administrado por via intravenosa. Estudos in vitro mostraram que apenas 10 moléculas de rícino ligadas a células HeLa em cultura, são necessária para causar a morte celular.
Precauções e Toxicidade
Apesar de seus inúmeros benefícios, é crucial destacar que a mamona contém compostos tóxicos, como a ricina, uma potente toxina. A ingestão de sementes mastigadas pode causar náuseas, vômitos, cólicas, diarreia e, em casos graves, levar ao óbito. Para adultos, a ingestão de 15 sementes pode ser fatal.
Mulheres grávidas devem evitar o consumo, pois a planta pode induzir contrações uterinas e provocar abortos espontâneos. Em casos de intoxicação, recomenda-se o tratamento imediato com antiespasmódicos, antieméticos e reposição hidroeletrolítica.
Aplicações Industriais
O óleo de rícino possui vasta aplicação industrial, sendo utilizado na fabricação de lubrificantes, tintas, plásticos biodegradáveis e cosméticos. Seu valor econômico é considerável, especialmente em setores que priorizam produtos sustentáveis e naturais.
A Ricinus communis destaca-se como uma planta multifuncional, com propriedades medicinais comprovadas e potencial econômico significativo. Contudo, é essencial equilibrar os benefícios com os cuidados necessários, especialmente em relação à toxicidade das sementes. Pesquisas futuras poderão ampliar ainda mais o uso seguro e eficiente dessa planta, consolidando seu papel nas áreas médica, farmacêutica e industrial.
Referências Bibliográficas
- ALONSO, J. R. Plantas Medicinais: Guia Prático de Seleção e Emprego. São Paulo: Ed. Nova, 1998.
- BRUNETON, J. Farmacognosia, Fitoquímica, Plantas Medicinais. São Paulo: Ed. Tecmedd, 2001.
- MATTOS, H. A. Plantas Úteis do Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Itatiaia, 1983.
- SILVA, V. M. Ricinus communis e suas Aplicações Medicinais. Revista Brasileira de Fitoterapia, 2015.