Mentha spicata
A hortelã-peluda (Mentha spicata), também conhecida como hortelã-verde, é uma erva amplamente cultivada e utilizada desde a antiguidade devido às suas propriedades medicinais e aromáticas. Famosa por seu alto teor de mentol, essa planta desempenha um papel importante na fitoterapia, sendo empregada no tratamento de distúrbios gastrointestinais, cólicas e infecções. Além disso, sua presença na cultura humana remonta a milênios, estando registrada em textos bíblicos e sendo utilizada em diversas tradições médicas, incluindo a egípcia, grega e romana.
Descrição Botânica e Características
A Mentha spicata pertence à família Lamiaceae, a mesma de outras plantas aromáticas como o manjericão, o alecrim e o tomilho. Diferente da hortelã-pimenta (Mentha × piperita), que é um híbrido natural, a hortelã-peluda é uma espécie distinta, frequentemente encontrada em jardins e até mesmo em ambientes silvestres.
Características principais:
• Porte: Herbácea perene que pode atingir entre 30 cm e 1 metro de altura.
• Folhas: Verdes, opostas, lanceoladas e levemente peludas, característica que diferencia essa espécie de outras hortelãs.
• Flores: Pequenas, geralmente lilases ou rosadas, organizadas em inflorescências espiciformes.
• Raízes: Rizomatosas, facilitando sua propagação vegetativa.
• Aroma: Refrescante e penetrante devido à presença de óleos essenciais ricos em mentol e outros compostos voláteis.
História e Uso Cultural
A hortelã-peluda tem sido historicamente valorizada por diferentes civilizações. Registros indicam que os egípcios a utilizavam em rituais religiosos e medicinais. Na Grécia Antiga, Hipócrates e Galeno a descreveram como uma erva essencial para a digestão.
Na Bíblia, a hortelã é mencionada no Evangelho de Mateus (23:23), onde Jesus cita seu uso no pagamento de dízimos pelos fariseus, ao lado do endro e do cominho. Durante a Idade Média, monges europeus cultivavam hortelã nos jardins de mosteiros, empregando-a como digestivo e repelente natural de insetos.
No Renascimento, a erva era utilizada como um dos primeiros “cremes dentais”, pois esfregar folhas frescas sobre os dentes ajudava na higiene bucal. Já na Inglaterra do século XVII, sua fragrância era aproveitada nos tribunais para mascarar os odores desagradáveis dos prisioneiros vindos das masmorras insalubres.
Hoje, a Mentha spicata continua sendo amplamente cultivada, seja para fins medicinais, ornamentais ou industriais, compondo pastas de dente, chicletes, licores e cosméticos.
Composição Química e Propriedades Medicinais
A eficácia terapêutica da hortelã-peluda se deve à sua rica composição química, que inclui:
• Óleos essenciais: trans-anetol, estragol, mentol, limoneno e linalol.
• Compostos fenólicos: flavonoides como rutina, cumarinas e ácido anísico.
• Outros compostos: pectina, colina, mucilagens e oxalato de cálcio.
Graças a essa complexa composição, a planta apresenta diversas propriedades medicinais, incluindo:
✅ Antiespasmódica – auxilia no alívio de cólicas intestinais e menstruais.
✅ Carminativa – combate gases intestinais e melhora a digestão.
✅ Estimulante digestiva – estimula a produção de sucos gástricos, facilitando a digestão.
✅ Antisséptica – auxilia na higiene oral e combate microrganismos.
✅ Expectorante – ajuda na eliminação do muco em casos de tosse.
✅ Levemente analgésica – pode ser usada para aliviar dores de cabeça leves.
Indicações e Formas de Uso
A hortelã-peluda é tradicionalmente utilizada em infusões, extratos e óleos essenciais para tratar uma variedade de condições.
1. Infusão (chá)
✅ Indicado para indigestão, cólicas e gases.
🔹 Como preparar:
• Adicione 1 colher de sopa das folhas frescas ou secas em 200 ml de água quente.
• Deixe em infusão por 5 a 10 minutos.
• Coe e consuma até 3 vezes ao dia.
2. Uso tópico
✅ O óleo essencial pode ser diluído e aplicado sobre a pele para alívio de dores musculares e picadas de insetos.
3. Uso culinário
✅ Amplamente utilizado para aromatizar saladas, molhos, sucos e sobremesas.
Apesar dos seus benefícios, o consumo da hortelã-peluda deve ser moderado. O uso excessivo pode causar irritação gástrica e, devido ao teor de estragol e anetol, há estudos que apontam possível efeito tóxico em altas doses.
⚠️ Evitar o uso nos seguintes casos:
❌ Gestantes e lactantes – pode interferir no equilíbrio hormonal.
❌ Crianças menores de 2 anos – risco de sensibilidade aos compostos voláteis.
❌ Pessoas com úlceras gástricas ou refluxo – pode agravar os sintomas.
Curiosidades
🔹 A hortelã-peluda é considerada uma “fugitiva dos jardins”, pois cresce espontaneamente nos campos e ao longo de rios, devido à sua rápida propagação rizomatosa.
🔹 Sua fragrância “alegra o coração”, segundo relatos históricos.
🔹 Abelhas são atraídas por suas flores, tornando-a uma excelente opção para jardins ecológicos.
Referências Bibliográficas
• BUNN, Karl. Glossário da Medicina Oculta de Samael Aun Weor. Editora Samael Aun Weor, 2012.
• CAVALCANTE, Rogério. Fitodontologia. Clube de Autores, 2009.
• TAVARES, Ana Cristina, et al. Plantas Aromáticas e Medicinais. Coimbra University Press, 2010.
• DUKE, James A. Handbook of Medicinal Herbs. CRC Press, 2002.
• GILMAN, Edward F. Mentha Species: Herbal Medicine Guide. University of Florida, 2016.