Plantas Que Curam

Cipó-prata (Banisteria argyrophylla): Propriedades e Usos Medicinais

A flora brasileira é um verdadeiro laboratório natural, abrigando plantas com propriedades medicinais amplamente utilizadas na medicina popular. Entre elas, destaca-se o cipó-prata (Banisteria argyrophylla), uma trepadeira lenhosa pertencente à família Malpighiaceae. Seu uso tradicional inclui o tratamento de afecções renais e inflamações, além de ser conhecido por auxiliar na eliminação do ácido úrico.

Neste artigo, exploraremos as características botânicas, propriedades medicinais, formas de uso e possíveis efeitos colaterais dessa planta, sempre com base na sabedoria popular e em dados científicos disponíveis.

Descrição Botânica

O cipó-prata é uma trepadeira lenhosa de grande porte, cujos ramos finos e alongados permitem que se fixe em árvores e outras estruturas para alcançar a luz solar. Suas folhas são opostas, de formato ovalado, com uma tonalidade verde-escura na face superior e um brilho prateado na inferior, característica que dá origem ao seu nome popular.

As flores dessa espécie são pequenas e delicadas, de coloração branca e amarela, reunidas em inflorescências terminais em forma de umbelas paniculadas ou corimbos compostos. O fruto, por sua vez, apresenta uma estrutura alada, que facilita sua dispersão pelo vento. A floração ocorre principalmente no verão, quando as condições climáticas favorecem a reprodução da planta.

Distribuição e Habitat

O cipó-prata é uma planta nativa do Brasil, sendo encontrada principalmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Seu habitat natural inclui orlas de matas, cerrados, campos e margens de estradas, geralmente em ambientes úmidos e sombreados.

Essa espécie possui grande resistência e se adapta bem a diferentes condições ambientais, o que facilita sua disseminação e cultivo em hortas medicinais.

Parte Utilizada e Formas de Consumo

As partes do cipó-prata empregadas na fitoterapia incluem suas raízes, ramos e folhas. Seu uso se dá, principalmente, na forma de infusão ou decocção, permitindo a extração de compostos ativos responsáveis por seus efeitos medicinais.

Infusão: 20 g da planta seca para cada litro de água. Deve-se tampar o recipiente após a infusão e deixar esfriar. Recomenda-se o consumo de 2 a 3 xícaras de cafezinho ao dia.

Decocção: Para um preparo mais concentrado, ferve-se a planta por alguns minutos antes de ser consumida.

Posologia recomendada: Adultos podem ingerir até 2 g da planta seca ou 4 g da planta fresca (o equivalente a uma colher de sopa para cada xícara de água), até três vezes ao dia, respeitando intervalos de pelo menos 12 horas.

Propriedades Medicinais e Indicações

O cipó-prata goza de boa reputação na medicina popular como um poderoso auxiliar na eliminação do ácido úrico, além de ser utilizado no tratamento de diversas condições inflamatórias. Suas propriedades incluem:

Diurética: Estimula a eliminação de líquidos, auxiliando no funcionamento dos rins e prevenindo a retenção hídrica.

Anti-inflamatória: Pode ser empregada para reduzir inflamações nos rins, bexiga e trato urinário.

Desintoxicante: Auxilia na remoção de toxinas do organismo, sendo útil em casos de ácido úrico elevado e doenças reumáticas.

Cicatrizante: Popularmente utilizado para tratar manchas na pele e auxiliar no processo de regeneração celular.

Indicações Terapêuticas

O cipó-prata pode ser empregado para o tratamento de diversas condições de saúde, incluindo:

Afecções renais (oligúria, anúria, disúria, dor lombar)

Afecções vesicais (inflamações e dores na bexiga)

Excesso de ácido úrico (gota e outros distúrbios metabólicos)

Hemorragias ovarianas

Nefrites (inflamações nos rins)

Blenorreias (infecções urinárias causadas por bactérias)

Manchas na pele e outras afecções dermatológicas

Efeitos Colaterais e Precauções

Nas doses recomendadas, não há registros de toxicidade significativa para o cipó-prata. A Dose Inocuidade Máxima (DIM) estabelecida para humanos acima de 60 kg é de 300 ml ao dia. No entanto, estudos apontam que extratos etanólicos dessa planta, quando administrados em doses muito superiores às terapêuticas, podem apresentar sinais de toxicidade inespecífica.

Embora não haja relatos de mortes por intoxicação, é importante respeitar a posologia indicada e evitar o consumo excessivo. Além disso, gestantes, lactantes e pessoas com doenças crônicas devem consultar um profissional de saúde antes de utilizar a planta.

O cipó-prata (Banisteria argyrophylla) representa mais um exemplo da riqueza da biodiversidade brasileira e do conhecimento tradicional transmitido ao longo das gerações. Seu uso na medicina popular reforça seu potencial terapêutico, especialmente no tratamento de inflamações renais e vesicais, bem como na eliminação do ácido úrico.

Contudo, mesmo que seu consumo seja considerado seguro em doses moderadas, é sempre recomendável buscar orientação de um profissional da saúde antes de iniciar qualquer tratamento à base de plantas medicinais. A fitoterapia é uma ferramenta valiosa, mas deve ser utilizada com responsabilidade e conhecimento.

Referências Bibliográficas

• BRUNETON, J. Farmacognosia, Fitoquímica, Plantas Medicinais. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.

• LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: Nativas e Exóticas. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2002.

• RATES, S. M. K. “Plantas Medicinais e a Busca por Novos Medicamentos”. Química Nova, v. 24, n. 1, 2001, p. 147-153.