A camomila-comum (Chamomilla recutita), também conhecida como camomila-alemã, é uma das plantas medicinais mais utilizadas no mundo. Seu uso remonta a civilizações antigas, como os egípcios, gregos e romanos, que já reconheciam suas propriedades calmantes e anti-inflamatórias. Hoje, a ciência moderna confirma muitos de seus benefícios, tornando-a um dos fitoterápicos mais estudados e aplicados na medicina natural.
Descrição Botânica
A camomila-comum pertence à família das Asteraceae e é caracterizada pelo forte aroma que exala de todas as suas partes. Trata-se de uma planta herbácea anual, aromática e de caule ereto, que pode atingir entre 20 e 50 cm de altura. Seu crescimento é ramificado e relativamente frágil.
As folhas da camomila são alternas, estreitas e profundamente divididas em segmentos. Seus capítulos florais, que à primeira vista parecem uma única flor, são compostos por um disco central amarelo (com flores hermafroditas) e pétalas brancas na periferia (flores femininas). O fruto é um pequeno aquênio esverdeado, liso e sem papilho.
A planta cresce de forma espontânea em terrenos baldios, estradas e zonas agrícolas, mas também pode ser cultivada para fins medicinais e ornamentais. Sua origem está no sul da Europa e na Ásia Ocidental, mas hoje é amplamente cultivada em diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil.
Cultivo da Camomila-Comum
O plantio da camomila ocorre por meio de sementes, preferencialmente em clima temperado. A planta se adapta a diferentes tipos de solo, mas apresenta melhor desenvolvimento em terrenos férteis, bem drenados e ricos em matéria orgânica. Para uma colheita de qualidade, é fundamental garantir boa exposição ao sol e rega adequada.
No Brasil, o plantio pode ser feito em março e setembro, garantindo que a planta receba umidade suficiente. A colheita ocorre cerca de três meses após a semeadura. Os capítulos florais devem ser colhidos antes da abertura completa e secos à sombra, em ambiente bem ventilado, a uma temperatura em torno de 40°C.
Propriedades Medicinais e Usos Terapêuticos
A camomila é amplamente reconhecida por suas propriedades medicinais, sendo utilizada tanto para aplicações internas quanto externas. Seus compostos ativos incluem flavonoides, terpenóides e cumarinas, que conferem à planta efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e sedativos.
Principais Propriedades Farmacológicas
• Anti-inflamatória: útil no tratamento de inflamações da pele, gengivites e aftas.
• Antiespasmódica: alivia cólicas menstruais, intestinais e estomacais.
• Calmante e sedativa: auxilia no tratamento da insônia e ansiedade leve.
• Digestiva e carminativa: combate indigestões, gases e náuseas.
• Cicatrizante e antisséptica: usada no tratamento de feridas e queimaduras leves.
• Emenagoga: estimula a menstruação e alivia sintomas da TPM.
Estudos indicam que a camomila pode atuar no sistema nervoso central, promovendo um efeito relaxante devido à presença do flavonoide apigenina, que se liga a receptores benzodiazepínicos no cérebro, exercendo um efeito sedativo suave (AMIRKHANIAN et al., 2021).
Indicações Terapêuticas
A camomila é tradicionalmente utilizada para tratar diversas condições, incluindo:
• Afecções de pele, como queimaduras solares e dermatites.
• Distúrbios gastrointestinais, como úlceras, gastrites e refluxo.
• Inflamações oftálmicas, sendo usada em compressas para aliviar conjuntivites leves.
• Problemas respiratórios, como asma e resfriados.
• Insônia, nervosismo e sintomas de estresse.
Formas de Uso e Administração
A camomila pode ser consumida de diversas formas, dependendo do objetivo terapêutico.
• Infusão (chá): 10 a 15 g de flores secas em 1 litro de água fervente, ingerido até três vezes ao dia.
• Bochechos e gargarejos: para tratar inflamações bucais e gengivite.
• Compressas: aplicadas sobre a pele para aliviar queimaduras, irritações e inflamações.
• Óleo essencial: usado em aromaterapia para relaxamento e alívio do estresse.
• Tintura: pode ser diluída em água e ingerida conforme orientação de um fitoterapeuta.
Efeitos Colaterais e Precauções
Apesar de ser amplamente segura, a camomila pode causar reações alérgicas em indivíduos sensíveis, especialmente aqueles alérgicos a plantas da família Asteraceae, como crisântemos e margaridas (SINGH et al., 2022).
• Mulheres grávidas devem evitar o consumo excessivo, pois há indícios de que a camomila possa estimular contrações uterinas.
• Pessoas em tratamento com anticoagulantes devem ter cautela, pois a planta pode potencializar o efeito do medicamento.
• Indivíduos alérgicos à camomila podem apresentar reações como dermatites, espirros e, em casos raros, anafilaxia.
A toxicidade da camomila é considerada baixa, mas o consumo excessivo pode causar desconforto gastrointestinal e sonolência.
A camomila-comum é uma planta medicinal valiosa, com um amplo espectro de aplicações terapêuticas. Seu uso é documentado há séculos, e estudos científicos continuam a validar seus benefícios, especialmente no alívio da ansiedade, insônia e distúrbios gastrointestinais. No entanto, como qualquer substância ativa, deve ser usada com cautela, respeitando contraindicações e dosagens recomendadas.