Plantas Que Curam

Calamintha officinalis: Benefícios e Usos Terapêuticos

A natureza oferece uma ampla variedade de plantas com propriedades medicinais que têm sido utilizadas ao longo da história para tratar diferentes condições de saúde. A Calamintha officinalis, também conhecida como nêveda ou nêveda-maior, é uma dessas plantas. Com um aroma semelhante ao da hortelã-pimenta, essa espécie da família Lamiaceae (anteriormente chamada de Labiatae) apresenta efeitos digestivos, antiespasmódicos, sudoríferos e tônicos, sendo valorizada tanto na medicina tradicional quanto na fitoterapia contemporânea.

Embora seu uso tenha diminuído em relação à popularidade que possuía na Idade Média, a Calamintha officinalisainda é reconhecida por seus benefícios terapêuticos, principalmente no alívio de dores reumáticas, espasmos musculares e problemas digestivos. Neste artigo, exploraremos suas propriedades, formas de uso, histórico medicinal e precauções associadas ao seu consumo.

Descrição e Características Botânicas

A Calamintha officinalis é uma planta silvestre, de pequeno porte, pertencente à família Lamiaceae—a mesma que inclui espécies amplamente conhecidas, como a hortelã-pimenta (Mentha × piperita) e a erva-cidreira (Melissa officinalis).

Seus principais traços botânicos incluem:

  • Folhas verdes e ovais, com margem levemente serrilhada.
  • Caule quadrangular, típico das plantas da família Lamiaceae.
  • Flores pequenas, de coloração azul-arroxeada ou lilás, dispostas em inflorescências verticiladas.
  • Aroma intenso e mentolado, semelhante ao da hortelã.

Essa planta cresce espontaneamente em diversas regiões da Europa, América do Norte e Ásia, preferindo solos bem drenados e locais ensolarados ou parcialmente sombreados.

História e Uso Tradicional

A Calamintha officinalis já era amplamente utilizada na Antiguidade e alcançou grande prestígio na Idade Média, período em que se acreditava que possuía propriedades extraordinárias.

Na medicina medieval, essa planta era considerada um poderoso remédio contra a elefantíase, uma doença cutânea caracterizada pelo inchaço anormal da pele e dos tecidos subjacentes. Acreditava-se que a ingestão da infusão de Calamintha officinalis misturada ao vinho, no estágio inicial da doença, ajudava a eliminar os humores desequilibrados e promovia a cura.

Além disso, a planta era valorizada como um estimulante geral, sendo usada para tratar fadiga, fraqueza digestiva e estados melancólicos. Na tradição popular, muitas vezes era incluída em preparações herbais para fortalecer o organismo e estimular a transpiração, auxiliando no tratamento de febres e resfriados.

Propriedades Medicinais e Benefícios

A Calamintha officinalis contém uma variedade de compostos bioativos, incluindo óleos essenciais, flavonoides e taninos, que conferem suas propriedades medicinais.

  1. Ação Digestiva e Carminativa

Assim como a hortelã-pimenta, a Calamintha officinalis auxilia na digestão e pode ser utilizada para aliviar sintomas como:

  • Indigestão e sensação de estômago pesado
  • Flatulência e cólicas abdominais
  • Espasmos gastrointestinais

A infusão das folhas estimula a produção de sucos gástricos e bile, facilitando a digestão de alimentos gordurosos.

  1. Efeito Antiespasmódico e Relaxante Muscular

Os componentes da planta possuem propriedades antiespasmódicas, sendo úteis no alívio de:

Essa propriedade a torna uma alternativa natural para quem busca um relaxante muscular suave e de origem vegetal.

  1. Propriedade Sudorífera e Febrífuga

A Calamintha officinalis tem um efeito sudorífero, ou seja, estimula a transpiração, auxiliando na regulação da temperatura corporal. Por isso, é tradicionalmente utilizada em casos de:

  • Resfriados e gripes leves
  • Estados febris
  • Desintoxicação do organismo

Esse efeito a torna uma opção interessante para quem deseja estimular o suor como forma de eliminar toxinas e acelerar a recuperação de estados infecciosos leves.

  1. Alívio de Dores Reumáticas

Na medicina popular, a infusão da planta é aplicada externamente, sob forma de compressas, para aliviar dores articulares e musculares associadas a:

Além do efeito analgésico, os flavonoides presentes na planta podem ajudar a reduzir a inflamação nas articulações.

Modo de Uso e Preparo

A Calamintha officinalis é tradicionalmente utilizada na forma de infusão, de modo semelhante à erva-cidreira.

Infusão (Chá Medicinal)

  • Ingredientes: 10 g da planta seca para 1 litro de água.
  • Modo de preparo: Adicionar a água fervente sobre as folhas secas e deixar em infusão por cerca de 10 minutos. Coar antes de consumir.
  • Posologia: Pode ser consumida até 3 vezes ao dia, conforme a necessidade.

Essa infusão pode ser utilizada tanto internamente (para digestão e relaxamento) quanto externamente (em compressas para dores musculares).

Precauções e Considerações Importantes

Embora seja uma planta segura para uso moderado, a Calamintha officinalis contém óleos essenciais que, em doses elevadas, podem ser irritantes para o trato gastrointestinal.

Contraindicações e cuidados:

  • Gestantes e lactantes devem evitar o uso, pois há poucos estudos sobre sua segurança durante a gravidez.
  • Pessoas com hipersensibilidade a plantas da família Lamiaceae devem evitar o consumo.
  • O uso prolongado deve ser supervisionado por um profissional de saúde.

A Calamintha officinalis é uma planta medicinal de uso tradicional e comprovada eficácia, especialmente em distúrbios digestivos, cólicas e dores reumáticas. Embora seu uso tenha sido mais difundido na Idade Média, ainda hoje é uma alternativa interessante na fitoterapia moderna.

Seus efeitos antiespasmódicos, digestivos e sudoríferos fazem dela uma aliada natural no alívio de desconfortos gastrointestinais e musculares. No entanto, seu consumo deve ser feito com moderação, respeitando as recomendações de preparo e dosagem.

Referências Bibliográficas

  • BRUNETON, J. Farmacognosia, Fitoquímica, Plantas Medicinais. Porto Alegre: Artmed, 2001.
  • DUKE, J. A. Handbook of Medicinal Herbs. Boca Raton: CRC Press, 2002.
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  • WHO. Monographs on Selected Medicinal Plants. Geneva: WHO, 2004.