O Bálsamo do Peru (Myroxylon peruiferum), uma árvore resinosa nativa da América Latina, destaca-se por seu valor medicinal e cosmético. Seu óleo-resina, amplamente utilizado desde a Antiguidade, é empregado na perfumaria, na fabricação de gomas de mascar e, sobretudo, em preparações farmacêuticas. Seu potencial terapêutico tem sido documentado em diversas farmacopeias ao longo da história, incluindo a Farmacopeia Americana desde 1820. Além de ser um poderoso expectorante e anti-inflamatório, o bálsamo também tem propriedades cicatrizantes e antissépticas, sendo usado no tratamento de doenças respiratórias, infecções cutâneas e inflamações.
Neste artigo, exploraremos as características botânicas do Bálsamo do Peru, suas propriedades medicinais, formas de uso e contra indicações, além de sua relevância histórica e científica.
Descrição botânica e habitat
Pertencente à família Fabaceae, o Bálsamo do Peru é conhecido por diversos nomes populares, como óleo-bálsamo, pau-bálsamo, bálsamo-de-cartagena e benjoim-do-norte. Trata-se de uma árvore de grande porte, com tronco grosso e casca rica em bolsões de óleo-resina, mais abundantes em árvores jovens. Suas folhas alternas, compostas por 7 a 12 folíolos ovais e lisos, apresentam pontos translúcidos. As flores, de coloração branca, crescem em cachos e produzem frutos do tipo vagem, que contém uma ou duas sementes oleosas e aromáticas.
O Bálsamo do Peru tem ampla distribuição geográfica, sendo encontrado na América Central (México, El Salvador, República Dominicana) e na América do Sul (Peru, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Brasil, Paraguai e Argentina). Desenvolve-se em solos diversos, preferindo terrenos bem drenados em encostas e regiões tropicais e subtropicais.
História e uso tradicional
O uso do Bálsamo do Peru remonta à cultura indígena, sendo um componente essencial na medicina tradicional de várias civilizações pré-colombianas. Durante o período colonial, sua resina foi exportada para a Europa, onde se tornou um ingrediente valioso na farmacopeia ocidental. No século XVII, sua aplicação medicinal foi documentada na Farmacopeia Alemã, e, em 1820, passou a integrar oficialmente a Farmacopeia Americana.
Historicamente, sua resina era empregada como anti séptico, cicatrizante e expectorante. Além disso, seu aroma balsâmico fez dele um componente apreciado na perfumaria e na indústria de cosméticos, sendo utilizado até hoje na formulação de loções, sabonetes e cremes dermatológicos.
Propriedades medicinais e princípios ativos
O Bálsamo do Peru contém uma série de compostos bioativos que justificam seu uso medicinal. Entre seus principais constituintes, destacam-se:
- Óleo-resina
- Ácidos benzoico e cinâmico
- Vanilina
- Benzoato de benzila
- Cinamato de benzila
- Álcool benzílico
- Nerolidol
Esses compostos conferem à planta propriedades anti-inflamatórias, expectorantes, cicatrizantes, antimicrobianas e analgésicas.
Indicações terapêuticas
Graças à sua rica composição química, o Bálsamo do Peru é tradicionalmente utilizado no tratamento de diversas condições, incluindo:
- Doenças respiratórias: asma, bronquite, traqueite, laringite, tosse crônica e congestão pulmonar
- Infecções urinárias: cistite, pielonefrite e uretrite
- Doenças dermatológicas: eczema, feridas, úlceras, escabiose, micoses e sarna
- Problemas musculares e articulares: reumatismo e dores musculares
- Cuidado capilar: tônicos contra queda de cabelo e produtos anticaspa
- Aromaterapia: ingrediente em perfumes e óleos essenciais relaxantes
Modos de uso e preparação caseira
Infusão para problemas respiratórios
- Indicado para tosses, bronquites e inflamações na garganta.
- Ferva 1 colher de sopa de cascas picadas em 1 xícara de café de água por 3 minutos.
- Após amornar, coe e adicione 2 colheres de café de açúcar.
- Tomar 1 colher de sopa, três vezes ao dia. Para crianças, usar metade da dose.
Chá para infecções urinárias
- Auxilia no tratamento de cistites, pielonefrites e uretrites.
- Infundir 1 colher de sopa de folhas picadas em 1 xícara de chá de água fervente.
- Tampar, deixar repousar por 10 minutos e coar.
- Tomar 1 xícara de chá, duas vezes ao dia, por cinco dias.
Inalação para vias respiratórias congestionadas
- Ajuda no alívio de sintomas de gripe e bronquite.
- Misturar 1 colher de sobremesa de óleo-resina em 1 xícara de chá de álcool a 80%.
- Adicionar 1 colher de sobremesa desse extrato a um recipiente com água quente.
- Cobrir a cabeça com uma toalha e aspirar os vapores por 15 minutos.
- Repetir o tratamento duas vezes ao dia.
Loção para micoses e parasitas cutâneos
- Para sarna, carrapatos, piolhos e lêndeas.
- Macerar 1 colher de sopa de casca e 1 colher de sopa de folhas em 1 xícara de chá de vinagre branco.
- Deixar em infusão por três dias em local quente e coar.
- Aplicar nas áreas afetadas com um chumaço de algodão.
- Para piolhos, massagear o couro cabeludo e deixar agir por duas horas antes de lavar.
Cuidados, contraindicações e efeitos colaterais
Embora possua amplas aplicações terapêuticas, o Bálsamo do Peru pode causar reações alérgicas em indivíduos sensíveis. Sua aplicação tópica pode desencadear dermatites de contato, e seu uso interno deve ser moderado, especialmente em pessoas com predisposição a alergias respiratórias.
Gestantes, lactantes e crianças pequenas devem evitar o uso do óleo-resina sem orientação médica. Além disso, indivíduos com histórico de sensibilidade a perfumes ou cosméticos devem testar uma pequena quantidade na pele antes de aplicá-lo em áreas extensas.
O Bálsamo do Peru é uma dádiva da natureza, amplamente utilizado há séculos por suas propriedades terapêuticas e cosméticas. Seu uso se estende da medicina popular às formulações farmacêuticas modernas, sendo um excelente aliado no tratamento de infecções respiratórias, cutâneas e urinárias. No entanto, como qualquer substância bioativa, seu emprego deve ser feito com cautela, respeitando as contraindicações e eventuais sensibilidades individuais.
Para aqueles que buscam alternativas naturais à saúde e ao bem-estar, essa planta milenar continua a ser um recurso valioso e multifuncional.
Efeitos colaterais:
Reações alérgicas ao bálsamo podem ocorrer em alguns indivíduos: “rash” cutâneo, dermatite de contato, mesmo quando a quantidade é pequena como em produtos de higiene pessoal e perfumes, pela presença dos cinamatos, benzoatos e terpenoides.
Superdosagem: Doses do óleo essencial acima da posologia recomendada podem causar cefaleia, enjoo e depressão. A urina tem odor de violetas.
Posologia:
Aplicações tópicas de 1 colher de chá de óleo resina para 3 colheres de chá de outro óleo vegetal para “rash” cutâneo, eczema e parasitoses na área afetada.
Em aromaterapia é considerado aquecedor, desbloqueador, confortador e é usado em vários estados de tensão nervosa e stress. A principal forma de utilização é a resina diluída em água quente.
Farmacologia:
Quando seca a seiva torna-se dura e frágil. É insolúvel em água mas solúvel em álcool, éter, solução de hidróxido de sódio, e clorofórmio. As concentrações destes componentes variam extensamente em produtos comerciais devido à falta de padrões internacionais para estandardizar o bálsamo. Tanto o bálsamo de tolú quanto o do peru tiveram suas características antissépticas, anti parasitárias e bactericidas documentadas, assim como sua ação promotora do crescimento do tecido epitelial.
Há relatos dos bálsamos como inibidores do Mycobacterium tuberculosis e do H. pylori em estudos in vitro. O Bálsamo-de-tolú aumenta a produção da secreção traqueobrônica; o óleo é eliminado pelos brônquios e a resina pela urina, explicando sua ação sobre o sistema urinário. Pelo menos 6 estudos clínicos publicados recentemente indicam reações alérgicas em indivíduos sensíveis, utilizadas pelos ácidos benzoicos. Ambos os bálsamos são encontrados no mercado de produtos naturais dos EUA O óleo resina e o óleo essencial destilado da resina são usados topicamente, em aromaterapia e internamente em pequenas quantidades.