O Avelóz (Euphorbia tirucalli), uma planta suculenta de origem africana, desperta interesse há séculos devido às suas propriedades medicinais e industriais. Popularmente conhecida como pau-pelado, figueira-do-diabo ou árvore-de-São-Sebastião, essa espécie da família Euphorbiaceae é amplamente utilizada na medicina popular para tratar diversas doenças, incluindo verrugas, tumores e inflamações.
Contudo, o Avelóz também apresenta riscos consideráveis à saúde, sendo seu látex altamente cáustico e tóxico. Além disso, há indícios de que a planta possa estar associada ao desenvolvimento do linfoma de Burkitt, um tipo de câncer endêmico em regiões onde seu uso é comum.
Este artigo explora a botânica, as aplicações terapêuticas e os perigos do Avelóz, com base em estudos científicos.
Descrição Botânica
O Avelós é uma planta suculenta e ramificada, com características que lembram um cacto. Pode atingir até 10 metros de altura e apresenta tronco e ramos lenhosos de coloração marrom-claro. Os ramos mais jovens são verdes, cilíndricos e finos, levando ao nome popular “planta-lápis”.
Suas folhas são minúsculas e caducas, caindo precocemente, o que faz com que a fotossíntese ocorra predominantemente nos ramos. Quando qualquer parte da planta é cortada, exsuda um látex branco e cáustico, responsável por suas propriedades químicas e seus riscos à saúde.
Habitat e Distribuição
Originária das regiões semiáridas da África, a planta também é nativa das Montanhas Atlas, no Marrocos, e ocorre naturalmente em áreas do Nordeste, Centro e Sul da África. Além disso, encontra-se em ilhas próximas, na Península Arábica e no Brasil, onde foi introduzida e se naturalizou.
No Brasil, o Avelóz cresce espontaneamente na Amazônia e em diversas regiões tropicais. É utilizado como cerca-viva e, em algumas localidades, como barreira contra incêndios devido à sua resistência.
História e Uso Industrial
O interesse pelo Aveloz não se restringe à medicina. Na década de 1980, a planta chamou a atenção da Petrobras devido ao seu potencial como fonte alternativa de hidrocarbonetos. Seu látex contém substâncias semelhantes à gasolina, e estudos indicaram que um hectare cultivado poderia render entre 10 e 50 barris de petróleo. O químico Melvin Calvin, laureado com o Prêmio Nobel de Química, chegou a sugerir sua exploração como biocombustível.
Entretanto, dificuldades técnicas e econômicas impediram sua viabilidade comercial.
Outro uso industrial do Avelóz foi na produção de borracha, mas essa aplicação não teve sucesso devido à baixa eficiência da extração.
Uso Medicinal e Propriedades Terapêuticas
Na medicina popular, o Avelóz é empregado para tratar uma variedade de doenças. As principais indicações incluem:
✅ Verrugas e calos
✅ Câncer e tumores (uso controverso)
✅ Sífilis
✅ Asma e problemas respiratórios
✅ Nevralgias e dores reumáticas
✅ Cólicas gastrointestinais
Acredita-se que seu látex possua propriedades antitumorais, analgésicas, anti-inflamatórias e cicatrizantes. Registros históricos indicam que a planta já era usada na Índia, Indonésia e Malásia para tratar doenças de pele, dores de ouvido, reumatismo e infecções respiratórias.
No entanto, há controvérsias quanto à sua real eficácia e segurança, pois alguns estudos sugerem que seus compostos podem induzir mutações celulares e favorecer o câncer, em vez de preveni-lo.
Composição Química
O Avelóz contém diversos princípios ativos, muitos dos quais apresentam efeitos biológicos importantes. Entre eles, destacam-se:
- Ésteres de forbol – agentes promotores de tumor
- Beta-sitosterol – potencial anti-inflamatório
- Ácido gálico – antioxidante
- Casuariina e corilagina – taninos com atividade antimicrobiana
- Ingenol – estudado por sua possível atividade anticancerígena
- Putranjivaína A e B – alcaloides com efeitos farmacológicos diversos
A toxicidade da planta está principalmente associada aos ésteres de forbol, compostos irritantes que podem causar inflamação severa e promover o crescimento de tumores.
Modos de Uso e Toxicidade
Apesar de seu uso na medicina popular, o Avelóz deve ser administrado com extrema cautela devido à sua toxicidade.
📌 Uso interno (controverso e desaconselhado):
- Diluição progressiva do látex em água, aumentando gradativamente a dosagem semanal.
- Risco: mesmo em pequenas quantidades, pode causar náuseas, vômitos, úlceras gastrointestinais e hemorragias.
📌 Uso externo:
- Aplicação do látex (diluído) em verrugas e calos.
- Em dores reumáticas, pode ser passado na pele até 3 vezes ao dia.
- Risco: pode causar queimaduras severas, dermatite e necrose tecidual.
📌 Contato com os olhos:
- Exposição ao látex pode provocar fotofobia, erosão da córnea, inflamação intensa e até cegueira permanente.
📌 Casos de intoxicação:
- O látex puro pode provocar hemorragias e coagulação intravascular disseminada.
- Doses elevadas podem ser letais.
Tratamento em Casos de Intoxicação
Caso ocorra contato acidental com o látex, devem-se adotar medidas emergenciais:
👁️ Contato ocular:
- Lavagem imediata com água corrente
- Uso de colírios antissépticos
- Avaliação oftalmológica urgente
🩹 Lesões na pele:
- Lavar com solução de permanganato de potássio 1:10.000
- Aplicar pomadas com corticoides e anti-histamínicos
🚑 Ingestão acidental:
- Evitar esvaziamento gástrico (não provocar vômito)
- Uso de protetores gástricos (leite, óleo de oliva)
- Administração de corticoides em casos graves
O Avelós é uma planta de grande interesse científico, sendo amplamente utilizada na medicina popular, apesar de seus riscos. Seu látex contém compostos bioativos que podem ser promissores para a pesquisa de novos fármacos, mas seu uso deve ser feito com cautela devido à alta toxicidade.
Atualmente, não há comprovação científica suficiente que justifique seu uso como tratamento contra o câncer, e há evidências de que pode estar relacionado ao desenvolvimento do linfoma de Burkitt. Portanto, qualquer aplicação medicinal do Avelóz deve ser acompanhada por profissionais de saúde, evitando intoxicações graves.
Farmacologia:
A farmacologia dos princípios ativos não referenda nenhum de seus usos na medicina herbalista. Ao contrário, seus compostos o tomam-no inadequado para seus usos tradicionais, especialmente o câncer. O látex do Avelós é muito rico em terpenos – estes esteres fórbicos são muito irritantes é há comprovação clínica de que eles são causadores de tumores.
Particularmente um deles, o éster 4-deoxiforbólico, foi documentado clinicamente corno promotor da infecção pelo EBV, danificador do DNA das células de imunidade e supressor do sistema imunitário geral.
E com o agravante de um extraio de avelós ter provocado a incapacidade das células T de matar o EBV. O EBV é umas das viroses humanas mais comuns, acredita-se que 95% da população adulta dos EE.UU tenham contraído o vírus em alguma época de suas vidas. Após a infecção inicial ele permanece inativo no sistema imunológico (dentro das células B).
Uma infecção por Epstein-Barr pode levar à mononudeose e outros portadores podem desenvolver algum tipo de câncer, tanto linfoma de Burkitfs quanto carcinoma naso-faríngico.
As pesquisas começaram pela observação de que nas áreas africanas onde o Avelós era usado como medicamento, geralmente para parasitoses ou como cerca viva havia uma endemia de EBV e linfoma de Burkitfs.
E a conclusão foi que a exposição direta ao látex ativa infecções latentes do Epstein-Barr e hoje é considerada um fator causal no desenvolvimento do linfoma de Burkitfs, um linfoma não (linfoma de Hodgkkin) que é associado ao EBV.
Na pesquisa, o tratamento de linhagens de células de linfoma de Burkitfs com o látex reativou o EBV latente e provocou crescimento geral do tumor. Desde a década de 70 o Avelós tem sido associado à “cura” para o câncer – com o látex sendo usado interna e externamente.