A avelã (Corylus avellana) é uma planta que desperta o interesse tanto pela sua saborosa semente quanto por suas propriedades medicinais. Fruto da aveleira, a avelã é uma rica fonte de nutrientes e compostos bioativos que podem ser usados para tratar uma variedade de condições de saúde. Neste artigo, vamos explorar em detalhes as propriedades da avelã, seu uso na medicina popular e os cuidados necessários ao utilizá-la para fins terapêuticos.
Descrição Botânica
A avelã pertence à família Betulaceae, que inclui várias espécies de árvores e arbustos. A aveleira é um arbusto de porte médio que pode atingir de 3 a 8 metros de altura, embora em condições ideais chegue a até 15 metros. Suas folhas são caducifólias, ou seja, caem no outono, e possuem uma forma arredondada com margens serrilhadas, medindo entre 6 a 12 centímetros. Ambas as faces das folhas são suavemente peludas.
As flores da aveleira surgem precocemente na primavera, antes do surgimento das folhas, sendo monoicas e polinizadas pelo vento. As flores masculinas, chamadas catkins, têm uma cor amarelo-pálida e podem medir de 5 a 12 centímetros de comprimento. Já as flores femininas são muito pequenas e ficam, na maior parte, ocultas, com apenas uma parte visível: os estilos vermelhos, que medem de 1 a 3 milímetros de comprimento.
O fruto da aveleira é uma noz, que cresce em cachos de 1 a 5 frutos. Cada noz é envolta por uma casca lenhosa, chamada involucro, que cobre aproximadamente três quartos do fruto. O interior contém a semente comestível, que possui sabor levemente adocicado e textura oleaginosa. Esta semente, também chamada de avelã, é amplamente consumida ao natural ou utilizada em diversas receitas, como chocolates, bolos, tortas e sorvetes.
Habitat e Cultivo
A aveleira é uma planta que cresce naturalmente em várias regiões do mundo, incluindo a Europa, Ásia Menor e partes da América do Norte. No Brasil, a aveleira é cultivada principalmente em áreas de clima temperado, mas também pode ser adaptada a climas subtropicais. A aveleira prefere solos férteis, bem drenados e ricos em matéria orgânica.
O cultivo da aveleira pode ser realizado por sementes ou mudas, sendo que a multiplicação por sementes ocorre facilmente. A planta se desenvolve bem em áreas com boa exposição ao sol, embora também tolere sombra parcial. A colheita das avelãs ocorre durante a maturação do fruto, quando a casca se torna mais resistente.
Propriedades Medicinais
A avelã é amplamente conhecida por suas propriedades nutricionais, mas também possui diversas qualidades terapêuticas. Suas principais propriedades medicinais incluem ação adstringente, antidiarreica, cicatrizante, nutritiva e depurativa. O uso medicinal da avelã é muito antigo, sendo empregada em diversas culturas para tratar condições de saúde como diarreia, desnutrição e inflamações.
A casca da aveleira é frequentemente utilizada na forma de cataplasmas para tratar feridas, úlceras e chagas. Devido às suas propriedades adstringentes, ela ajuda na cicatrização e na redução de inflamações na pele. Além disso, a avelã também é utilizada para promover a recuperação em casos de convalescença, especialmente em pessoas que sofreram grandes perdas de nutrientes.
Outro uso medicinal da avelã é no tratamento de problemas intestinais, como inflamações e úlceras. O consumo regular da semente de avelã tem demonstrado ser benéfico para melhorar a digestão e aliviar sintomas de distúrbios intestinais.
Composição Química
A avelã é rica em diversos compostos bioativos que conferem suas propriedades terapêuticas. Entre os principais componentes da avelã, podemos destacar:
• Ácidos graxos: como o ácido oleico, linoleico, esteárico e palmítico, que são importantes para a saúde cardiovascular.
• Vitaminas: avelãs contêm vitamina B, vitamina E e ácido ascórbico (vitamina C), essenciais para o fortalecimento do sistema imunológico e a saúde da pele.
• Minerais: avelãs são ricas em minerais como cálcio, ferro, magnésio, manganês, potássio, zinco e selênio, que desempenham papéis importantes no funcionamento do organismo.
• Fitosteróis: compostos que auxiliam no controle do colesterol, promovendo a saúde cardiovascular.
• Carboidratos: incluindo açúcares como sucrose e rafinose, que fornecem energia de liberação lenta.
Além disso, a presença de antioxidantes, como o betacaroteno, ajuda a combater os radicais livres no corpo, protegendo as células contra o envelhecimento precoce e o desenvolvimento de doenças degenerativas.
Modo de Uso
A avelã pode ser utilizada de diversas formas para fins terapêuticos. Alguns dos modos de uso mais comuns incluem:
• Cataplasma de casca: para cicatrizar úlceras, feridas e chagas na pele. Para preparar o cataplasma, basta esmagar a casca da aveleira e aplicá-la diretamente na área afetada.
• Fruto: pode ser consumido de diversas maneiras, como ao natural, torrado, ou com mel. A avelã também é amplamente utilizada na fabricação de pastas, manteiga, chocolates, bombons, sorvetes, tortas e bolos.
• Óleo de avelã: utilizado na fabricação de hidratantes para a pele e produtos cosméticos, como xampus e condicionadores. O óleo de avelã é rico em ácidos graxos essenciais e antioxidantes, o que contribui para a hidratação e rejuvenescimento da pele.
Cuidados e Contraindicações
Apesar de a avelã ser uma planta bastante segura e benéfica para a maioria das pessoas, o óleo de avelã deve ser utilizado com precaução e sempre sob orientação médica, especialmente em tratamentos tópicos ou para uso interno. Não há relatos significativos de toxicidade associados ao consumo moderado de avelãs, mas a ingestão excessiva pode levar a reações alérgicas em indivíduos sensíveis.
Conclusão
A avelã (Corylus avellana) é uma planta rica em nutrientes e compostos bioativos com potenciais terapêuticos valiosos. Seu uso tradicional em diversas culturas, aliado a estudos modernos que comprovam seus benefícios, torna a avelã uma excelente escolha para complementar tratamentos de diversas condições, desde problemas digestivos até feridas na pele. Ao incorporar a avelã na dieta ou em preparações fitoterápicas, é possível aproveitar seus benefícios nutricionais e medicinais, sempre com o devido cuidado e conhecimento de sua aplicação.
Referências Bibliográficas
• Oliveira, R. M., & Ferreira, J. L. (2010). Plantas Medicinais no Brasil: Nativas e Exóticas. Editora UFV.
• Santos, F. A. & Silva, L. F. (2015). Fitoterapia: Terapias Naturais e Medicinais. Editora Fiocruz.
• Vieira, R. S., et al. (2001). “Propriedades Medicinais e Nutricionais da Avelã.” Revista Brasileira de Farmácia.