O Vitex agnus-castus, popularmente conhecido como agno-casto ou árvore-da-castidade, é uma planta medicinal amplamente utilizada na fitoterapia para tratar distúrbios hormonais femininos, como síndrome pré-menstrual (TPM), infertilidade, irregularidade menstrual e sintomas da menopausa. Seu uso remonta à Grécia Antiga, onde era associada à castidade e pureza. Atualmente, estudos científicos começam a respaldar seu potencial terapêutico, tornando-o uma alternativa natural viável para diversas condições de saúde.
Descrição botânica e habitat
Pertencente à família Verbenaceae, o agno-casto é um arbusto que pode atingir entre 1 e 6 metros de altura, com ramos quadrangulares cobertos por uma fina penugem. Suas folhas são decíduas, palmadas e lanceoladas, com a parte inferior esbranquiçada e tomentosa. As flores são predominantemente azuis ou violetas, embora também possam apresentar coloração rosada. Já os frutos são pequenas drupas globulares de coloração vermelho-escura, frequentemente comparadas a grãos de pimenta.
A planta é nativa da região mediterrânea e pode ser encontrada em áreas de clima temperado, incluindo partes da Europa, Ásia Ocidental e Norte da África. Desde a Antiguidade, era utilizada por gregos e romanos, sendo mencionada por Hipócrates, Teofrasto e Dioscórides.
Propriedades medicinais e mecanismos de ação
O agno-casto é conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias, sedativas, espasmolíticas e reguladoras do sistema hormonal. Seu efeito no organismo ocorre principalmente por meio da atuação sobre a hipófise, regulando a secreção dos hormônios LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo-estimulante). Isso resulta em um equilíbrio entre estrogênio e progesterona, sendo especialmente benéfico para mulheres que enfrentam disfunções hormonais.
Principais compostos ativos
A planta contém uma ampla variedade de fitocompostos, incluindo:
• Flavonoides: casticina, orientina e isovitexina, com ação antioxidante e anti-inflamatória.
• Óleos essenciais: cineol, pineno, limoneno, sabineno e eucaliptol, que contribuem para suas propriedades carminativas e calmantes.
• Glicosídeos iridoides: aucubina e agnosídeo, responsáveis pelo efeito regulador do sistema endócrino.
• Taninos e princípios amargos, que auxiliam na digestão e no funcionamento do fígado.
Indicações terapêuticas do agno-casto
Regulação do ciclo menstrual e alívio da TPM
O Vitex é um dos fitoterápicos mais estudados para o tratamento da síndrome pré-menstrual (TPM) e de distúrbios menstruais. Ele reduz sintomas como tensão mamária, retenção de líquidos, irritabilidade, enxaqueca e cólicas. Um estudo publicado no Journal of Women’s Health (2001) demonstrou que mulheres que utilizaram extrato de Vitex apresentaram redução significativa dos sintomas da TPM após três meses de uso contínuo.
Tratamento da infertilidade feminina
O agno-casto pode ser um coadjuvante no tratamento da infertilidade causada por disfunções hormonais, especialmente quando há deficiência de progesterona. Sua ação no corpus luteum contribui para a regulação do ciclo ovulatório, aumentando as chances de concepção. Em um ensaio clínico conduzido por Milewicz et al. (1993), observou-se que mulheres com fase lútea curta apresentaram melhora significativa após o uso do extrato de Vitex.
Menopausa e perimenopausa
Na transição para a menopausa, muitas mulheres experimentam sintomas desconfortáveis, como fogachos, alterações de humor e insônia. O uso do agno-casto, combinado com outras plantas como Cimicifuga racemosa (cohosh negro)e Salvia officinalis (sálvia), pode aliviar esses sintomas e ajudar a manter a regularidade hormonal.
Doença do ovário policístico (SOP)
A síndrome do ovário policístico (SOP) é uma condição endócrina caracterizada por menstruação irregular, resistência à insulina e excesso de hormônios androgênicos. O Vitex pode auxiliar no equilíbrio hormonal, promovendo a regulação dos ciclos menstruais e reduzindo a hiperprolactinemia frequentemente associada à SOP.
Saúde mental e emocional
Por atuar nos receptores de dopamina, o agno-casto pode ter um efeito positivo no humor e no bem-estar emocional. Estudos indicam que ele pode ser útil no tratamento da depressão leve e da ansiedade, sendo uma alternativa natural a medicamentos convencionais.
Formas de uso e dosagem recomendada
O Vitex pode ser consumido em diversas formas, como chá, tintura, cápsulas ou extrato seco. A dosagem ideal varia de acordo com a condição a ser tratada, mas geralmente recomenda-se:
• Infusão: 1 colher de sopa dos frutos secos em 200 ml de água fervente, deixando em infusão por 15 minutos. Tomar de 2 a 4 vezes ao dia.
• Extrato seco: 150 a 250 mg/dia.
• Tintura (1:5 em álcool 70%): 30 a 40 gotas ao dia, preferencialmente pela manhã.
O tratamento deve ser contínuo por pelo menos 3 a 6 meses para que os efeitos sejam perceptíveis.
Efeitos colaterais e contraindicações
Embora seja geralmente bem tolerado, o uso do agno-casto pode causar náusea, tontura, cefaleia e alterações gastrointestinais em algumas pessoas. Em casos raros, pode provocar reações alérgicas cutâneas.
O uso é contraindicado para:
• Gestantes e lactantes.
• Mulheres em tratamento com terapia de reposição hormonal ou anticoncepcionais hormonais.
• Pacientes com distúrbios da coagulação.
Estudos toxicológicos indicam que a dose letal média (DLM) em humanos é acima de 300 ml de extrato para indivíduos de 60 kg, sendo improvável que seu consumo em doses terapêuticas cause toxicidade grave.
História e simbolismo
O nome “Vitex” foi atribuído pelos romanos devido à semelhança de seus ramos com os do salgueiro, enquanto “agnus-castus” (do grego agnós = casto) reflete sua antiga associação à pureza. Na Grécia Antiga, as sacerdotisas usavam a planta para simbolizar a castidade, e na Idade Média, era empregada em conventos para suprimir o desejo sexual.
O Vitex agnus-castus é uma das plantas medicinais mais estudadas e utilizadas para distúrbios hormonais femininos. Seu uso pode trazer benefícios significativos para a regulação do ciclo menstrual, tratamento da TPM, infertilidade e menopausa. No entanto, como qualquer fitoterápico, deve ser utilizado com cautela e, sempre que possível, sob orientação de um profissional de saúde.