O abacaxi (Ananas comosus e Ananas sativus), pertencente à família das Bromeliaceae, é uma planta tropical amplamente conhecida não apenas pelo sabor doce e refrescante de seu fruto, mas também pelas suas propriedades medicinais. Originário das regiões tropicais da América do Sul, em especial do Brasil e Paraguai, o abacaxi tem sido utilizado ao longo dos séculos em diversas culturas para tratar problemas digestivos, respiratórios e dermatológicos. Além disso, destaca-se na indústria cosmética devido à sua ação regeneradora e rejuvenescedora.
Descrição Botânica
O abacaxi é uma planta herbácea de pequeno porte, atingindo aproximadamente 1,2 metros de altura. Suas folhas são longas, lineares e dispostas em formato de roseta, podendo apresentar bordas serrilhadas na variedade abacaxi ou lisas na variedade ananás. As flores, pequenas e de coloração róseo-púrpura, desenvolvem-se em uma haste em formato de espiga, originando o fruto sincárpico, caracterizado pela união de pequenos frutos que formam uma estrutura ovoide com uma coroa de folhas verdes e rígidas no topo. Curiosamente, essa coroa pode ser utilizada para propagar novas plantas, evidenciando a facilidade de cultivo da espécie.
Adaptado a solos sílico-argilosos, leves e ricos em húmus, o abacaxi prospera em ambientes com temperaturas entre 24 °C e 27 °C. Após o florescimento, o fruto leva em média quatro meses para amadurecer, sendo colhido quando atinge a plenitude do seu sabor e valor nutricional.
Componentes Químicos e Princípios Ativos
O abacaxi é rico em compostos bioativos, responsáveis por seus efeitos terapêuticos. Entre eles, destaca-se a bromelina, uma enzima proteolítica presente no caule e no fruto, conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, digestivas e mucolíticas. Além disso, o fruto contém flavonoides, saponinas, taninos e mucilagens, que contribuem para sua ação antioxidante e regeneradora.
O perfil vitamínico do abacaxi é igualmente notável, incluindo vitaminas A, B1, B2, B6, C e E. Os sais minerais presentes — como ferro, cálcio, potássio, magnésio e manganês — desempenham um papel essencial na manutenção da saúde óssea, muscular e imunológica. Ademais, os ácidos orgânicos, como o cítrico, málico, tartárico e oxálico, colaboram para a digestão e a desintoxicação do organismo.
Graças à riqueza de seus componentes, o abacaxi oferece uma ampla gama de benefícios à saúde. Suas propriedades incluem:
• Digestivo: Facilita a digestão de proteínas devido à ação da bromelina, sendo indicado para dispepsia e acidez estomacal.
• Expectorante e Antitússico: Auxilia no tratamento de bronquites, tosses e catarros, promovendo a eliminação do muco.
• Anti-inflamatório: Reduz edemas pós-operatórios e inflamações dos tecidos, sendo utilizado como antiflogístico natural.
• Antiespasmódico e Calmante: Alivia cólicas e espasmos, proporcionando relaxamento muscular.
• Diurético: Favorece a eliminação de líquidos, contribuindo para o controle da pressão arterial.
• Lipolítico: Estimula a quebra de gorduras, sendo útil em regimes de emagrecimento.
• Regenerador Celular: Promove a cicatrização de feridas e melhora a saúde da pele, reduzindo acne, espinhas e oleosidade.
Aplicações Cosméticas
Além dos benefícios internos, o abacaxi é amplamente utilizado em tratamentos de beleza. Sua ação esfoliante ativa a circulação sanguínea, enquanto as enzimas proteolíticas removem células mortas, proporcionando uma pele mais suave e luminosa. Compressas de polpa de abacaxi aliviam inflamações cutâneas e queimaduras leves, enquanto máscaras faciais à base da fruta contribuem para a regeneração dos tecidos e a redução de manchas.
Nos cabelos, o abacaxi tem sido utilizado em máscaras de tratamento para alisar fios crespos e combater o excesso de oleosidade do couro cabeludo. Cremes e géis enriquecidos com o extrato da fruta são eficazes no combate à celulite e na drenagem linfática, devido ao estímulo da microcirculação.
Formas de Uso
O abacaxi pode ser consumido de diversas maneiras, tanto na alimentação quanto em preparações medicinais:
• Suco Natural: Auxilia no tratamento de afecções respiratórias, digestivas e da pele.
• Purê de Polpa: Aplicado em peles oleosas e acneicas, possui ação adstringente e regeneradora.
• Decocção da Casca: Indicada para tosses e catarros, devido ao efeito expectorante da bromelina.
• Loções e Compressas: Usadas para aliviar inflamações e melhorar a aparência da pele.
• Extrato de Bromelina: Consumido em cápsulas ou pílulas, é recomendado para reduzir inflamações e melhorar a digestão.
Uma receita popular para o alívio da tosse consiste em ferver a casca do abacaxi em água, adicionando mel e gengibre, resultando em um xarope natural e eficaz.
Contraindicações e Precauções
Apesar dos inúmeros benefícios, o consumo excessivo de abacaxi pode causar irritação na mucosa bucal devido à ação da bromelina. Pessoas com hipersensibilidade à fruta devem evitá-la, assim como indivíduos com gastrite ou úlceras gástricas, devido ao teor ácido. O uso tópico deve ser moderado, especialmente em peles sensíveis, para evitar reações alérgicas.
Mulheres grávidas devem consumir abacaxi com moderação, pois há relatos de que a bromelina em doses elevadas pode estimular contrações uterinas. Já o consumo moderado durante a gestação é considerado seguro e benéfico, desde que orientado por um profissional de saúde.
Curiosidades e Usos Tradicionais
Historicamente, o abacaxi era utilizado pelos povos indígenas da América do Sul para tratar feridas e inflamações, aproveitando a ação cicatrizante da bromelina. Além disso, o fruto desempenhou um papel importante na dieta dessas populações devido ao seu alto valor nutricional. Atualmente, o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de abacaxi, com destaque para as regiões Norte e Nordeste.
Em alguns municípios, como Tarauacá, no Acre, são cultivadas variedades gigantes da fruta, que chegam a pesar até 18 kg, sendo motivo de orgulho local. Esses exemplares, além de impressionarem pelo tamanho, preservam as mesmas propriedades terapêuticas da fruta comum.
O abacaxi é, sem dúvida, uma das frutas mais versáteis e benéficas para a saúde humana. Seja consumido in natura, em sucos ou aplicado topicamente, ele oferece propriedades digestivas, anti-inflamatórias e regeneradoras que o tornam indispensável tanto na medicina popular quanto na cosmética moderna. Contudo, é fundamental respeitar as doses recomendadas e observar possíveis reações adversas, garantindo assim o aproveitamento pleno de seus benefícios.
Toxicologia:
Evitar o contato com os olhos pois pode causar irritação. Não usar em mulheres grávidas e em pessoas com úlcera. Efeitos Colaterais: Aumento do número de evacuações, ou, diarreia pastosa em intestinos com tendência à diarreia. Queixas gástricas e reações alérgicas podem aparecer após uso continuado. Pessoas alérgicas podem ter aftas nas amídalas, simulando uma dor de garganta, e o abacaxi também pode provocar distúrbios gastrintestinais.
Interação medicamentosa:
Pode haver aumento de sangramento quando administrado simultaneamente a anticoagulantes ou inibidores da agregação trombocítica. A bromelina , associada a tetraciclinas, aumenta sua concentração no plasma e na urina. Infuso, decocto, sumo, essência, suspensão ou sumo. Emprego Usado em casos de bronquites, tosse catarral, dor de garganta, acne, espinhas, cravos, psoríase vermelha, psoríase escamativa, esclerodermias, feridas,
úlceras, chagas, em máscaras rejuvenescedoras, como digestivo (enzimas
proteolíticas), diurético, antiagregante plaquetário. O fruto maduro é ingerido ao natural. A essência é extraída com álcool de cereais. Infuso ou decocto: 2 xícaras de chá do fruto picado para 1 litro de água, deixar em repouso por 6 horas. Tomar 4 a 5 xícaras de chá ao dia. Sumo: 2 xícaras de polpa do fruto para 1 litro de água, adoçar com mel. Tomar 3 a 4 xícaras de chá ao dia. Inibidores da monoaminooxidase. A absorção do ferro contido numa dieta pode ser multiplicada pela presença de vitamina C. Pode ser associado a antibióticos, aumentando sua eficácia, assim como a da quimioterapia no tratamento de câncer. Substâncias do abacaxi combinadas com a ciclosporina inibiram a inflamação e a artrite.
Farmacologia:
As proteinases mistura de pelo menos 5 ciste ína proteinases muito semelhantes, incluindo EC 3.4.22.4 e EC 3.4.22.5. podem ser desativadas pela presença de agentes oxidantes e ativadas com tióis como a cisteína e também, pequenas quantidades de uma fosíatase – a peroxidase, e inibidores da protease. Muito utilizado na indústria cosmética.
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