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Artemisia absinthium: Propriedades Medicinais e Cuidados no Uso

Artemisia absinthium é uma planta com propriedades terapêuticas, mas seu uso exige cuidados para evitar efeitos tóxicos. Conheça suas aplicações.

A Artemisia absinthium, também conhecida como absinto, losna, losna-maior ou erva-dos-velhos, é uma planta herbácea pertencente à família das Compostas. Com altura que varia de 40 a 80 cm, possui flores pequenas, agrupadas em capítulos, de coloração amarela. Essa planta, originária da Ásia, Europa e Norte da África, tem sido amplamente utilizada tanto na medicina tradicional quanto na fabricação de bebidas alcoólicas, especialmente o absinto, conhecido por seu alto teor alcoólico.

No Brasil, a Artemisia absinthium se adapta com facilidade aos diversos climas e é cultivada em hortas, jardins e até em terrenos agrestes, próximos ao litoral. Suas folhas e flores são amplamente aproveitadas para fins medicinais, mas é fundamental entender suas propriedades e os cuidados necessários ao utilizá-la.

Características e Propriedades

A planta é amplamente reconhecida por suas propriedades medicinais, principalmente no trato digestivo. Suas folhas e capítulos florais contêm princípios amargos, como a absintina, que tem efeito estimulante sobre o sistema digestivo, aliviando condições como dispepsia (má digestão) e constipação. Além disso, a planta apresenta ação vermífuga, ou seja, é eficaz no combate a vermes intestinais, e possui propriedades emenagogas, o que a torna útil no tratamento de irregularidades menstruais.

O óleo essencial extraído da Artemisia absinthium contém compostos como tuiona, borneol, cadineno e felandreno, que têm propriedades antimicrobianas, mas também apresentam toxicidade quando utilizados em excesso. Além disso, a planta é rica em flavonoides como a artemetina, que demonstrou atividades antibióticas e antitumorais em estudos recentes.

Uso Terapêutico

A Artemisia absinthium tem várias aplicações terapêuticas, desde o alívio de problemas digestivos até o tratamento de doenças mais complexas. Entre suas principais indicações estão:

  • Problemas digestivos: A infusão de suas folhas pode ser utilizada como tônico gástrico para estimular o apetite e aliviar distúrbios digestivos.
  • Insuficiência hepática: Sua ação hepatoprotetora é conhecida, sendo útil em casos de fígado enfraquecido ou disfunções biliares.
  • Regulações menstruais: A planta pode ser usada para regular ciclos menstruais irregulares ou dolorosos.
  • Vermífuga: Devido à sua ação vermífuga, é amplamente utilizada no combate a vermes intestinais.

O modo de preparo da planta pode variar conforme a finalidade desejada. Entre as formas mais comuns de uso estão infusões, tinturas, decocções e até mesmo vinhos medicinais. A infusão de Artemisia absinthium, embora eficaz, tem um sabor extremamente amargo, o que pode torná-la difícil de consumir em grandes quantidades.

Infusão:

Uma das formas mais simples de preparo é a infusão de 1 a 2 colheres de café da planta seca por xícara de água. Ela pode ser tomada até três vezes ao dia, preferencialmente antes das refeições.

Tintura:

A tintura de absinto, preparada a partir de 2 xícaras de álcool de cereais com 1 xícara de água e a erva picada, deve ser macerada por 7 dias. Após esse período, pode-se tomar uma colher de café diluída em água, de 2 a 3 vezes ao dia.

Vinho Medicinal:

A maceração de 20 g de folhas ou flores secas em 1 litro de vinho tinto e 2 cálices de aguardente por 10 dias também é uma opção de preparo. O vinho deve ser filtrado e ingerido em pequenas quantidades, após as refeições, com o objetivo de ajudar na digestão.

Cuidados e Contraindicações

Embora as propriedades medicinais da Artemisia absinthium sejam bem documentadas, o uso indiscriminado da planta pode resultar em sérios efeitos adversos. O principal risco está no conteúdo de tujona, um composto tóxico presente em grande quantidade no óleo essencial da planta.

  • Toxicidade: O consumo de grandes quantidades de absinto ou o uso prolongado de bebidas alcoólicas à base dessa planta pode resultar em envenenamento, caracterizado por sintomas como alucinações, convulsões e até mesmo a degeneração irreversível do sistema nervoso central. Esse quadro é conhecido como “absintismo”, que pode levar à destruição dos glóbulos vermelhos e a danos irreparáveis no sistema nervoso.
  • Contraindicações: Não deve ser utilizado por gestantes, lactantes, pessoas com problemas gástricos e intestinais ou que estejam em tratamento radioterápico. O consumo deve ser restrito a doses pequenas e dentro dos limites recomendados.

Além disso, a planta pode interagir com outros medicamentos, como os anticonvulsivantes, prejudicando sua eficácia. Pacientes que fazem uso de medicamentos como fenobarbitais devem evitar o uso de Artemisia absinthium, pois as tuionas presentes na planta podem interferir com a ação desses medicamentos.

Cultivo e Conservação

A Artemisia absinthium é uma planta que se adapta bem a diferentes tipos de solo, embora prefira solos bem arejados e ricos em matéria orgânica. Para o cultivo, é recomendado o plantio em canteiros com espaçamento de 30 cm entre as plantas. A colheita pode ser feita o ano todo, especialmente as folhas e os capítulos florais.

Após a colheita, as folhas devem ser secas ao sol, em local ventilado e sem umidade, para evitar a proliferação de fungos. A planta seca adquire uma coloração prateada e deve ser armazenada em recipientes de vidro ou porcelana, longe da luz e da umidade.

A Artemisia absinthium é uma planta de grande valor medicinal, mas seu uso exige cuidados rigorosos devido à toxicidade dos compostos presentes nela. É essencial que qualquer forma de tratamento com absinto seja supervisionada por um profissional de saúde para evitar complicações graves. Ao utilizá-la de maneira consciente, respeitando as doses e as contra indicações, a planta pode ser uma valiosa aliada no tratamento de diversas condições de saúde.

Referências Bibliográficas

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