Plantas Que Curam

Carica papaya: Benefícios, Usos e Cuidados Essenciais

Descubra os benefícios medicinais e culinários da Carica papaya, suas propriedades digestivas e cicatrizantes, usos e cuidados essenciais.

A Carica papaya, popularmente conhecida como mamão ou papaia, é um fruto nativo da América tropical e amplamente cultivado em regiões de clima quente. Além de ser um alimento saboroso e nutritivo, o mamoeiro tem valor medicinal reconhecido, com propriedades que vão desde o auxílio na digestão até o tratamento de feridas difíceis de cicatrizar. Neste artigo, exploraremos em detalhes suas características, benefícios, formas de uso e cuidados necessários.

Características Botânicas e Cultivo

Pertencente à família Caricaceae, o mamoeiro é uma planta de rápido crescimento, que atinge de 3 a 5 metros de altura. Seu caule cilíndrico e oco é coroado por folhas grandes e lobadas, conferindo-lhe um aspecto semelhante ao de uma palmeira. Essa planta adapta-se facilmente a solos profundos e bem drenados, prosperando em regiões tropicais com boa distribuição de chuvas.

Há uma distinção importante entre os mamíferos machos, fêmeas e hermafroditas. Enquanto as flores femininas dão origem ao fruto, algumas flores hermafroditas, encontradas nas inflorescências masculinas, produzem o chamado mamão-de-corda.

Composição Química e Propriedades Medicinais

Os frutos, sementes e látex de Carica papaya contêm substâncias bioativas como papaína, ácido ascórbico e vitaminas A e C, além de sais minerais como cálcio, fósforo e ferro. Esses compostos conferem ao mamoeiro propriedades medicinais que incluem:

  • Digestiva: A papaína facilita a digestão ao quebrar proteínas em meios alcalinos, sendo útil em casos de secreções digestivas insuficientes.
  • Cicatrizante: O látex tem aplicações no tratamento de feridas difíceis de cicatrizar, como escaras e queimaduras.
  • Anti-inflamatória e antioxidante: Alivia edemas e promove a saúde celular.

Usos Terapêuticos e Culinários

O mamão é amplamente utilizado tanto na culinária quanto na medicina tradicional.

  1. Uso Culinário:
  • Consumido “in natura”, em saladas, sucos e sobremesas.
  • O látex do fruto verde é empregado para amaciar carnes na indústria alimentícia.
  1. Uso Medicinal:

Cuidados e Contraindicações

Embora o mamoeiro ofereça inúmeros benefícios, é fundamental observar algumas precauções. A papaína pode desencadear reações alérgicas severas, especialmente em pessoas sensíveis. O látex, por sua vez, pode causar irritações na pele e no trato digestivo, se ingerido em excesso. Além disso, o composto carpaína pode reduzir a frequência cardíaca e, por isso, deve ser evitado por gestantes e indivíduos com problemas cardíacos.

A Carica papaya exemplifica a riqueza das plantas tropicais em termos de utilidade e potencial terapêutico. Desde a nutrição até a medicina, o mamoeiro se destaca como um recurso valioso. No entanto, como reforça o professor Dr. Jaime Eduardo Morais Santos, é imprescindível combinar o conhecimento empírico à pesquisa científica rigorosa, garantindo assim o uso seguro e eficaz dessa planta.

Farmacologia:

Cortes rasos na superfície da fruta crescida mas ainda não madura causam a exsudação de uma seiva leitosa, que é coletada, secada e denominada papaína bruta. A papaína é uma mistura de enzimas que degradam outras proteínas. A quimopapaína foi fracionada em subcomponentes designados “A” e “B”. Este composto é muito similar a papaína em seu espectro de atividade proteolítica, embora seja menos potente no que diz respeito à degradação de proteínas Outros componentes da papaína degradam carboidratos e gorduras As sementes contêm a caricina, um glicosídeo. Quando a carícia é combinada com a mirosina, um odor parecido com mostarda é produzido. As sementes e a polpa do mamão contêm benzi-glucosinolato. Este glucosinolato é hidrolisado pela enzima mirosinase para produzir o benzil isotiocianato. O maior glicosídeo cianogênico do mamão é o (2R)-prunasina, com pequenas quantidades de samba nigrina também presentes. O alcaloide carpina também foi identificado nas folhas. A papaína foi utilizada extensamente na medicina popular para o tratamento de desordens digestivas, particularmente aquelas associadas com a ingestão de alimentos ricos em proteína. Acredita-se que o chá feito das folhas fermentadas do mamoeiro produz uma mistura de enzimas proteolíticas mais rica do que o chá das folhas frescas. A papaína também foi utilizada como um vermífugo e como um componente de cremes faciais para amaciar a pele. A papaína é vendida comercialmente como um amaciante de carne. No princípio dos anos 80, a quimopapaína foi aprovada para uso em injeção intradiscal nos pacientes com hérnia dos discos intervertebrais lombares e quem não tinham respondido à terapia comum. Este procedimento é eficaz mas permanece o foco da muita controvérsia, particularmente a respeito da segurança da administração da enzima. Choque anafilático foi inicialmente relatado ocorrendo em aproximadamente 1 % dos pacientes que receberam a droga, várias fatalidades também foram relatadas. Estatísticas mais recentes, entretanto, indicam que a anafilaxia ocorre em menos de 0,5% dos pacientes, e outros eventos adversos, tal como problemas neurológicos, raramente ocorrem.
A papaína é utilizada para controlar o edema e a inflamação associados com o traumatismo acidental ou cirurgia. As soluções de papaína produziram efeitos terapêuticos em pacientes com desordens inflamatórias dos órgãos genitais, do intestino, fígado, e do olho. As soluções de papaína (0,1 % a 1 %) também diminuíram in vitro o peso da crosta da queimadura e aceleram a cicatrização experimental de queimaduras in vivo. A papaína é utilizada como facilitadora da digestão, e também possui componentes antioxidantes tal como a vitamina C, ácido málico e o ácido cítrico.
A papaína é instável na presença dos sucos digestivos, o que pode explicar a sua ineficácia como um vermífugo. Um estudo demonstrou que a papaína possui alguma atividade in vitro contra parasitas helmintos, porém o composto benzil isotiocianato é considerado ser o único componente vermífugo nos extratos da semente de mamão. O composto benzil isotiocianato encontrado na polpa e nas sementes do mamão também é um potente indutor da glutationa Stransferase, uma enzima de fase 11 envolvida na desintoxicação celular de xenobióticos e de metabólitos reativos; Uma atividade bacteriostática do mamão contra diversos agentes enteropatogênicos tal como o Bacillus subtilis, Enterobacter cloacae, Escherichia coli, Salmonella typhi, Staphylococcus aureo, Proteus vulgaris, Pseudomonas aeruginosa, e Klebsiella pneumoniae, foi documentada; Um relatório de 1978 sugeriu que a papaína é teratogênica e embriotóxica em ratos. Diversos estudos investigaram se o consumo de mamão é seguro durante a gravidez. Os ratos que alimentavam uma mistura de mamão maduro no lugar da água não mostraram nenhuma diferença no número de locais de implantação e de fetos viáveis. Entretanto, o consumo do mamão verde ou semimaduro que contém uma concentração mais elevada de leite de mamão (látex), pode ser prejudicial durante a gravidez. O látex bruto do mamão induziu a contração espasmódica dos músculos uterino, de forma similar à oxitocina e a prostaglandina F2-alfa. Nenhum efeito adverso no desenvolvimento pré-natal foi observado em ratas fêmeas Sprague-Dawley que foram administradas um extrato aquoso bruto de sementes da papaia, com uma dosagem baixa de papaína. Alguns textos promovem dados que não possuem um suporte científico adequado, como a ideia que o consumo de mamão verde por 3 dias consecutivos pode induzir o aborto. Também se acredita que, quando consumida diariamente, a papaína na fruta madura pode ter uma atividade contraceptiva fraca. Os autores destes textos acreditam que a papaína suprime a progesterona que é necessária para a concepção e a gravidez. Finalmente, os mesmo autores acreditam que a papaína também pode afetar uma membrana vital envolvida no desenvolvimento fetal.
A ingestão das grandes quantidades de papaína ou de mamão foi associada com a perfuração do esófago.
O extrato da semente do mamão pode exercer efeitos potencialmente tóxicos no músculo liso vascular de mamíferos. O composto benzil isotiocianato, o principal ingrediente bioativo na semente, inibe irreversivelmente a contração da artéria carótida de cães. O extrato de mamão, quando presente em concentrações elevadas, foi encontrado ser citotóxico, aumentando a permeabilidade da membrana plasmática ao cálcio. Resultado de estudos sobre a atividade do mamão no tratamento de edemas, inflamações e traumas – A atividade diurética é associada com os extratos aquosos do Carica papaya. Os ratos machos e adultos tomaram uma dose oral de 10mg de extratos da raiz do Carica papaya. O aumento da excreção da urina demonstrada (P < 0,01) foi similar ao efeito produzido com a administração de 10 mg/kg de hidroclorotiazida.

Referências Bibliográficas

  • BRUNINI, O.; OLIVEIRA, M. A. “Mamoeiro: Aspectos Agronômicos e Medicinais.” São Paulo: Ed. Agro, 2018.
  • SILVA, R. “Plantas Tropicais: Usos e Cuidados.” Rio de Janeiro: Ed. Flora, 2020.
  • LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. “Plantas Medicinais no Brasil: Nativas e Exóticas.” Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2008.