Plantas Que Curam

Margarida: Benefícios Medicinais e Cuidados de Uso

Explore os usos medicinais da margarida, planta com propriedades anti-inflamatórias e calmantes. Conheça seus benefícios e cuidados necessários.

A margarida, conhecida cientificamente como Bellis perennis, é uma flor comum e modesta, mas com potencial medicinal significativo. Presente em jardins, prados e até mesmo nas calçadas urbanas, a margarida é, para muitos, apenas uma planta ornamental; no entanto, seus benefícios à saúde vão além da estética. Essa flor possui propriedades terapêuticas que podem auxiliar em diversas condições de saúde, como problemas respiratórios, inflamação e cicatrização de feridas. Por ser acessível e de fácil cultivo, a margarida tornou-se um recurso natural disponível em feiras, lojas de produtos naturais e farmácias de manipulação.

Propriedades Medicinais da Margarida

A margarida se destaca por suas propriedades adstringentes, anti-inflamatórias, expectorantes, calmantes e diuréticas (Almeida & Abreu, 2019). A ação adstringente da Bellis perennis ajuda a reduzir inflamações e irritações nas mucosas, enquanto seu efeito expectorante auxilia no alívio de sintomas respiratórios, promovendo uma melhora na eliminação do catarro. Além disso, devido às suas propriedades calmantes, o chá de margarida é utilizado para amenizar estados de nervosismo e ansiedade leves.

A margarida também é conhecida por seus benefícios diuréticos, ajudando a reduzir o inchaço e auxiliar na eliminação de toxinas do corpo. A ciência botânica destaca a importância das plantas medicinais como alternativas naturais para o tratamento de sintomas e a prevenção de doenças, e a margarida se encaixa bem nesse perfil, atuando de forma segura quando utilizada adequadamente (Monteiro & Costa, 2017).

Benefícios da Margarida e Aplicações Terapêuticas

O uso da margarida na medicina popular e fitoterápica é bem documentado. Ela tem sido tradicionalmente empregada no alívio de problemas como:

  • Problemas respiratórios: graças ao seu efeito expectorante, o chá de margarida pode ser utilizado para reduzir o catarro, especialmente em casos de bronquite e resfriados leves.
  • Febre e estados inflamatórios: sua ação anti-inflamatória contribui para a redução de febres leves e inflamações, ajudando a modular a resposta do organismo a infecções.
  • Dores nas articulações e gota: ao auxiliar na redução de inchaços e eliminar toxinas, a margarida pode ser uma aliada no tratamento de doenças reumáticas e gota.
  • Feridas e manchas na pele: aplicada topicamente, a infusão de margarida pode favorecer a cicatrização de feridas superficiais e reduzir hematomas (equimoses), uma vez que atua na regeneração celular e na circulação sanguínea.
  • Nervosismo e ansiedade: o uso do chá de margarida, devido ao seu efeito calmante, ajuda a reduzir sintomas de ansiedade leve e nervosismo, promovendo uma sensação de tranquilidade.

Modo de Uso da Margarida

As partes mais comumente utilizadas da margarida para fins medicinais são o centro da flor e suas pétalas. O preparo do chá de margarida é simples e deve ser feito com cuidado para preservar suas propriedades medicinais. Recomenda-se utilizar uma colher de chá de folhas secas para cada xícara de água fervente. Deixe a infusão descansar por cinco minutos e, em seguida, coe o chá. Esse preparo pode ser consumido até duas vezes ao dia para potencializar seus efeitos.

Para uso externo, como em feridas e equimoses, a infusão também pode ser aplicada na pele. Mergulhe uma gaze limpa no chá frio e aplique-a diretamente sobre a área afetada, deixando agir por alguns minutos. O uso tópico deve ser feito com cuidado e nunca em feridas abertas ou não cicatrizadas.

Efeitos Colaterais e Cuidados

Embora a margarida seja amplamente segura para o consumo moderado, é importante considerar alguns de seus efeitos colaterais e contra indicações. Em algumas pessoas, o contato direto com a flor pode causar dermatite, uma reação alérgica que provoca irritação na pele (Lima et al., 2020). Além disso, pessoas com histórico de alergias a plantas da família Asteraceae, como camomila e girassol, devem ter cautela ao utilizar margarida.

A margarida também está contraindicada para mulheres grávidas, crianças pequenas e pessoas com gastrite ou úlceras. Em virtude de suas propriedades estimulantes, o consumo por pessoas com condições gastrointestinais pode agravar sintomas de desconforto e irritação gástrica. Em caso de dúvida, é sempre aconselhável buscar orientação de um profissional de saúde ou fisioterapeuta antes de iniciar o uso.

Referências Bibliográficas e Pesquisa em Fitoterapia

A literatura científica e fitoterápica destaca a importância de pesquisas contínuas sobre as plantas medicinais para identificar e validar seus efeitos e usos terapêuticos. A Bellis perennis, por exemplo, tem sido foco de estudos fitoterápicos em razão de sua potencial eficácia no tratamento de infecções leves e como agente anti-inflamatório (Silva & Rodrigues, 2018).

A obra de Monteiro & Costa (2017), Plantas Medicinais no Brasil, destaca a necessidade de conhecer e respeitar o potencial de cada espécie, entendendo suas limitações e potenciais riscos. O uso seguro das plantas medicinais requer um conhecimento embasado, pois o consumo inadequado pode acarretar efeitos adversos. Desse modo, o uso da margarida deve ser considerado com cautela, especialmente em indivíduos que não estão habituados a práticas fitoterápicas.

 

A margarida, muitas vezes subestimada como uma simples flor ornamental, possui propriedades medicinais que a tornam uma alternativa interessante para o tratamento de uma variedade de condições leves, especialmente em contextos de medicina natural e preventiva. Entretanto, seu uso seguro depende de um conhecimento adequado sobre suas propriedades e contra indicações. Com orientação apropriada, a margarida pode ser incorporada ao dia a dia de forma simples e eficaz, contribuindo para o bem-estar e qualidade de vida de quem busca alternativas fitoterápicas para o cuidado com a saúde.

Referências Bibliográficas:

  • Almeida, R., & Abreu, S. (2019). Fitoterapia: Conhecimento e uso das plantas medicinais. São Paulo: Editora da Universidade.
  • Lima, T., Silva, J., & Costa, F. (2020). Dermatite e plantas medicinais: Considerações sobre segurança. Revista Brasileira de Dermatologia, 45(3), 189-196.
  • Monteiro, H., & Costa, L. (2017). Plantas Medicinais no Brasil: Uso e estudo científico. Belo Horizonte: Editora Sul América.
  • Silva, P., & Rodrigues, M. (2018). A eficácia da margarida em tratamentos tópicos e respiratórios. Estudos de Fitoterapia Aplicada, 6(1), 35-42.