Canna angustifolia, também conhecida como albará ou erva dos feridos, é uma planta originária da América do Sul, pertencente à família das Marantáceas. Além de seu uso ornamental, essa espécie é valorizada pelas propriedades terapêuticas de suas folhas e rizoma, amplamente utilizadas na medicina tradicional para o tratamento de feridas, úlceras e otites. Exploraremos as características botânicas, propriedades medicinais e métodos de uso da planta, com base em fontes históricas e referências botânicas consagradas.
Características Botânicas da Canna Angustifolia
A Canna angustifolia, também chamada de imbiri em algumas regiões, é uma planta de porte imponente que atinge aproximadamente 2 metros de altura. Apresenta haste ereta e cilíndrica, além de um rizoma longo com diversas radículas, o que facilita seu crescimento em áreas úmidas e pantanosas. Suas folhas são alternas e invaginantes, lanceoladas e amplas, com cerca de 50 centímetros de comprimento por 13 centímetros de largura. A planta também se destaca por suas flores amarelas, cujas pétalas são sustentadas por um perianto duplo.
Essas características tornam a Canna angustifolia uma planta ornamental muito apreciada em jardins tropicais. Contudo, seu potencial terapêutico transcende seu uso decorativo, revelando-se valiosa para a medicina popular.
Propriedades Medicinais e Compostos Ativos
As partes utilizadas da planta são, principalmente, o rizoma e as folhas, sendo que cada um possui propriedades terapêuticas distintas. O rizoma, por exemplo, possui propriedades diuréticas e antireumáticas, promovendo a eliminação de líquidos e o alívio de dores nas articulações. A capacidade diaforética do rizoma — isto é, de induzir a transpiração — é particularmente útil em tratamentos para febres e condições inflamatórias (Caminhoá, 1877).
Já as folhas da Canna angustifolia são tradicionalmente aplicadas no tratamento de feridas e úlceras devido ao seu potencial cicatrizante. Estudos etnobotânicos sugerem que suas propriedades antimicrobianas podem auxiliar na limpeza e prevenção de infecções nas feridas (Amorim, 1874). A planta também é usada para tratar otites, sendo que o suco extraído das folhas frescas pode ser aplicado localmente para aliviar inflamações e dor.
Indicações e Usos Tradicionais
Na medicina popular, a Canna angustifolia é amplamente utilizada na forma de emplastos e macerados. Abaixo, listamos alguns dos principais usos e modos de preparo:
- Feridas e Úlceras: As folhas secas e socadas são transformadas em pó e aplicadas diretamente sobre feridas ou queimaduras como um emplasto, facilitando a cicatrização e evitando infecções.
- Otites: O suco extraído das folhas frescas pode ser aplicado diretamente na região auricular afetada para reduzir a inflamação e aliviar a dor, desde que seja utilizado com precaução e sob orientação.
- Anti-inflamatório e Diurético: O rizoma pode ser utilizado em infusões para auxiliar na eliminação de líquidos e reduzir o inchaço em condições inflamatórias, além de ser indicado em tratamentos reumáticos devido às suas propriedades antirreumáticas.
Importância Etnobotânica e Preservação da Tradição Medicinal
A utilização da Canna angustifolia nas práticas medicinais tradicionais demonstra a importância da etnobotânica na preservação dos conhecimentos locais sobre plantas e suas propriedades. Desde os estudos de Caminhoá (1877) até as referências de Amorim (1874), a Canna angustifolia tem sido documentada por seu valor medicinal. Embora a ciência moderna possa ainda não ter explorado todos os compostos ativos da planta, seu uso histórico valida a eficácia observada pela sabedoria popular.
Esse conhecimento é crucial para a valorização da flora medicinal da América do Sul e para a identificação de plantas com potencial farmacêutico, contribuindo para o desenvolvimento de medicamentos naturais e preservação da biodiversidade.
Referências Bibliográficas
- Caminhoá, J. M. (1877). Elementos de botânica geral e médica. Typographia Nacional.
- Amorim, F. G. (1874). Theatro de Francisco Gomes de Amorim. Typ. Universal de T.Q. Antunes.
- Velloso, R. (1965). Livro verde das plantas medicinais e industriais do Brasil: Descrição das plantas medicinais, industriais, comestíveis, tóxicas e venenosas; suas curiosidades históricas e lendas, Volume 1.