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Cipó Suma (Anchietia salutaris): Propriedades e Usos Medicinais

O cipó suma (Anchietia salutaris), pertencente à família Violaceae, é uma planta amplamente utilizada na medicina tradicional brasileira. Conhecida também como baúna, paraguaia, piraguara e suma, essa espécie se destaca por suas propriedades medicinais, sendo empregada no tratamento de diversas enfermidades há séculos. Sua relevância na fitoterapia se deve à sua rica composição química, que inclui substâncias anti-inflamatórias e depurativas.

Com distribuição natural por grande parte do território brasileiro, especialmente nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás, o cipó suma é um recurso valioso tanto para a população indígena quanto para comunidades ribeirinhas. Neste artigo, exploraremos sua botânica, propriedades medicinais, formas de uso e evidências científicas sobre seus benefícios.

Descrição Botânica

O Anchietia salutaris é uma planta de caule delgado, cujas folhas apresentam formatos irregulares. Seus frutos são cápsulas e suas raízes, a parte mais utilizada na medicina popular, possuem um sabor amargo e acre característico.

O cipó suma se multiplica por sementes e tem preferência por solos úmidos, férteis e ricos em matéria orgânica. Há duas variedades principais: o suma branco e o suma roxo, ambos com propriedades fitoterápicas semelhantes. A colheita das raízes ocorre no período de floração, garantindo maior concentração de compostos bioativos.

A planta é encontrada em regiões de mata atlântica e cerrados úmidos, sendo amplamente cultivada e utilizada ao longo da história pelos povos originários do Brasil.

História e Uso Tradicional

O cipó suma possui uma longa tradição no uso medicinal, especialmente entre povos indígenas e comunidades ribeirinhas. Seu decocto, apesar do sabor amargo, é amplamente empregado na medicina popular para tratar desde infecções cutâneas até enfermidades respiratórias.

Além disso, há relatos de seu uso como antídoto contra o veneno de cobras, prática comum entre os caboclos da Amazônia e do Cerrado. Seu reconhecimento se expandiu para a farmacopéia homeopática, onde é indicado para diversas condições inflamatórias e infecciosas.

Propriedades Medicinais

O cipó suma é uma planta medicinal versátil, cujos princípios ativos conferem uma série de benefícios terapêuticos. Suas principais propriedades incluem:

Calmante – Ajuda no alívio de espasmos musculares e tensão nervosa.

Diurética – Favorece a eliminação de líquidos, sendo útil para edemas e problemas renais leves.

Depurativa – Auxilia na desintoxicação do organismo, eliminando toxinas do fígado e dos rins.

Anti-inflamatória – Devido à presença de salicilato de metila, é eficaz no tratamento de inflamações articulares e cutâneas.

Indicações Terapêuticas

O cipó suma tem sido utilizado tradicionalmente no tratamento de diversas condições, incluindo:

Acne e furúnculos

Asma e bronquite

Coqueluche e tosses persistentes

Diabetes

Doenças venéreas

• Espasmos musculares

• Herpes e psoríase

Reumatismo

• Traqueobronquite

Seu uso está associado à melhora de sintomas respiratórios, inflamatórios e dermatológicos, além de contribuir para a regulação do metabolismo.

Composição Química e Princípios Ativos

Os benefícios medicinais do cipó suma são resultado de sua complexa composição química, que inclui:

Agliconas: Caincetina

Salicilatos: Salicilato de metila

Ácidos orgânicos: Ácido chiocotânico

Ácidos graxos e resinas vegetais

Glicosídeos: Caincina e ácido cainquico

Óleos essenciais

Esses compostos atuam em sinergia para proporcionar efeitos anti-inflamatórios, analgésicos e antioxidantes.

Modo de Uso

A raiz do cipó suma pode ser utilizada de diversas formas na medicina popular, sendo a infusão e o pó as mais comuns:

Infusão (chá): 8 gramas da raiz para um copo de água fervente. Indicada para problemas respiratórios, dermatológicos e reumáticos.

Pó diluído em água: Usado especialmente no controle do diabetes.

Decocção: Preparação mais concentrada, tradicionalmente utilizada contra veneno de cobras e outras intoxicações.

É importante respeitar as dosagens recomendadas para evitar efeitos adversos.

Evidências Científicas e Farmacologia

Estudos farmacológicos têm demonstrado a eficácia do cipó suma, especialmente no que se refere à sua ação anti-inflamatória. Pesquisas realizadas pelo Grupo TRAMIL, na Universidade de Antioquia (República Dominicana, 1995), revelaram que o extrato da planta:

Bloqueia a síntese de prostaglandinas, o que explica sua ação anti-inflamatória.

Inibe o crescimento de células neoplásicas (não especificadas), sugerindo potencial anticancerígeno.

Possui atividade antimicrobiana contra Bacillus subtilis in vitro.

Embora mais estudos sejam necessários, esses achados reforçam a importância do cipó suma na fitoterapia moderna.

Efeitos Colaterais e Segurança

Dentro das doses terapêuticas recomendadas, o cipó suma é considerado seguro. Não há relatos de toxicidade grave, e a dose letal média (DLM) em humanos acima de 60 kg é superior a 300 ml do extrato.

No entanto, em doses muito elevadas, os extratos etanólicos podem apresentar sinais de toxicidade inespecíficos. Por isso, o uso deve ser orientado por um profissional de saúde, especialmente em tratamentos prolongados.

Em caso de superdosagem, recomenda-se tratamento sintomático para vômitos e diarreia.

O cipó suma (Anchietia salutaris) é uma planta de grande relevância na medicina tradicional brasileira. Suas propriedades calmantes, diuréticas e anti-inflamatórias a tornam uma aliada no tratamento de doenças respiratórias, dermatológicas e inflamatórias.

Além do uso popular, pesquisas científicas já demonstraram seu potencial farmacológico, reforçando seu valor como fitoterápico. No entanto, como qualquer substância medicinal, seu uso deve ser feito com cautela e sob orientação especializada.

Com sua ampla distribuição pelo Brasil e longa história de uso terapêutico, o cipó suma segue sendo uma alternativa natural para diversas condições de saúde, unindo sabedoria ancestral e conhecimento científico.